ESTUDANTES DE TERESINA LUTAM CONTRA AUMENTO DA PASSAGEM DE ÔNIBUS


A impunidade, a corrupção, os juros abusivos, a arrogância dos poderosos, a leniência da justiça, a violência da polícia, as mentiras da mídia, o desemprego, o endividamento crescente da população, a superexploração capitalista, os assassinatos no campo, o abandono da saúde pública e a total submissão aos planos de saúde, o caos da educação e as aviltantes condições de trabalho dos professores, o estrangulamento da pesquisa de ponta, a desnacionalização completa da economia, o envenenamento da população pela máfia do agrotóxico,  a sangria de verbas públicas nos ralos de empreiteiras crescidas na estufa da ditadura militar, a subserviência aos interesses imperiais, tudo isso (e muito mais) vem contribuindo para o aumento da insatisfação popular. A luta política parece revigorar-se com o aumento da percepção de que a realidade política brasileira só atenderá à demanda popular mediante um processo de luta que coloque no chão todo o aparato predatório do capitalismo no Brasil.

Exemplos dessa elevação de temperatura não faltam ao Brasil, o que falta infelizmente é algo que lhe forneça uma identidade e direção. Partidos e políticos oportunistas apresentam-se como forças de esquerda e progressistas, porém logo se compõem com o poder, acomodando-se a estruturas de governo, a cargos públicos, a posições ambíguas, num processo de amaciamento que sempre termina em traição das ideias a serviço do interesse coletivo, trocadas pela filosofia do interesse pessoal, pura busca de poder e enriquecimento.

Apesar dos sIlvérios, dos enganadores, dos radicais do discurso e bundões na prática, há uma corrente de alta voltagem que vem se ampliando no meio do povo. Consciência silenciada pelos meios de comunicação e combatida a ferro e fogo pelos contemporizadores, legalistas e acovardados líderes, cúmplices do status quo, obcecados apenas com o próprio carreirismo.
Eu poderia usar outro exemplo, mas tomo o da luta dos estudantes piauienses contra o aumento do preço das passagens.

Os empresários de Teresina recolheram toda a frota  para as garagens: cerca de 500 ônibus, após quatro dias de massivos protestos populares contra o reajuste de R$ 1,90 para R$ 2,10. A imprensa  logo revela seu lado patronal, dá a notícia com o foco nos 200 mil passageiros que foram prejudicados. Esquecem os pseudojornalistas que são 200 mil explorados por uma tarifa que não resiste a uma análise contábil na planilha de custo do preço da passagem. Mas quem banca a imprensa? Quem bancou a campanha do prefeito?

Alegam os empresários que 30 ônibus foram depredados, mas como conter a revolta de quem é depredado diariamente no bolso? Como alguém pode alegar que defende o direito de ir e vir quando cobra por esse direito uma tarifa abusiva?

Observem nas fotos abaixo que o policiamento  foi as ruas não para proteger os estudantes e garantir uma manifestação legítima e pacífica, mas para servir aos interesses das empresas de ônibus. O povo brasileiro já sabe há muito tempo para que servem a polícia, a justiça e o governo.

A luta dos estudantes de Teresina é a luta dos estudantes de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Florianópolis, de todo o país. Afinal, trocando apenas os valores que variam de um lugar para outro, "mãos ao alto, R$ 2,10 é um assalto" é um refrão de todos brasileiros.

Zantonc


























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