A TERRA É PRA QUEM VIVE E TRABALHA NELA!




Escrito por Zé Neto

Seg, 25 de Abril de 2011

Capela, interior de Alagoas, como muitas deste estado, é uma pequena cidade que possui sua economia centrada, principalmente, nas movimentações comerciais das Usinas de moagem de cana-de-açúcar. Esta economia sofre enorme influência dos já consagrados membros do grupo dos mais ricos, a classe dominante.

Muitos destes, além de latifundiários, fazem parte da gerência do velho e carcomido Estado, como o Deputado Federal João Lyra, o deputado estadual Sérgio Toledo e como o próprio João de Paula Gomes, prefeito de Capela e detentor de um vasto latifúndio, como os da maioria, para monocultura de cana-de-açúcar.

Nesta circunstância o povo fica a mercê da época de moagem, a mercê do principal meio empregatício da cidade, o corte de cana. Como era de se esperar de uma cidade essencialmente agrícola, onde a maioria das terras produtivas está nas mãos do putrefato latifúndio.

Em decorrência desta concentração do latifúndio, preocupado apenas com o plantio de cana, nas feiras da cidade de Capela e das cidades vizinhas, encontramos o absurdo preço dos alimentos. E é por isso que os camponeses em sua maioria estão sem terra para trabalhar e desta forma, o povo paga alto preço na hora de comprar o feijão, a batata, a farinha, a macaxeira, etc.

Sem esperar por falsas promessas de politiqueiros, camponeses capelenses se organizam e foram à luta. Mesmo depois de resistirem firmemente a dois despejos das áreas que estavam a cerca de cinco anos, levantam alto a bandeira vermelha da luta combativa.

No final do ano passado estes camponeses receberam a arbitrária reintegração de pose das Fazendas Reunidas e da Fazenda Pitombeira, junto à onda fascista de reintegração de posse feita pelo do velho Estado com a direção dos reeleitos gerentes do governo de Alagoas.

Na fazenda Pitombeira nem se quer existiu documentação para alegar propriedade do latifúndio João Lyra. O único documento era o as armas nas mãos do “centro de gerenciamento de crise” (BOPE). Não mais que três meses se passaram, desde o primeiro despejo no final de 2010, para que os camponeses, junto com as chuvas do início do ano, retomassem a fazenda Pitombeira pela terceira vez ocupada.

Retomaram para trabalhar e viver na fazenda que, como consta na documentação em cartório da cidade de capela além das dividas com o estado a fazenda não corresponde ao total alegado pelo latifundiário. Ou seja, dos mais de 250 hectares reivindicados pelo deputado João Lyra, apenas 90hec. realmente pertencem à fazenda Pitombeira. E os mais de 160hec. a quem pertencem? Como os próprios camponeses relatam no seu panfleto reproduzido abaixo: “a terra tem que ser destinada para quem vive e trabalha nela”.

Camponeses quer terra e não repressão!

Terra para quem nela vive e trabalha!

Viva a Revolução Agrária!





                                    O povo quer terra, não repressão!!!

Dia de feira e o preço do feijão aumentou, a qualidade da macaxeira é duvidosa e o dinheiro no bolso diminui a cada semana que passa. Fim da moagem e a usina manda dezenas de trabalhadores para rua, sem contrato os trabalhadores ficam com as contas para pagar. Quantas vezes nos deparamos nesta situação? Nós trabalhadores rurais de Capela organizados na Liga dos Camponeses Pobres acreditamos que para solucionar esses problemas a terra tem que ser destinada para quem vive e trabalha nela. Queremos plantar! E por isso lutamos.

A “Fazenda Pitombeira” há anos não possui produção. Hoje, boa parte da cana existente nela trata-se de cana velha remanescente do antigo arrendamento da falida Usina João de Deus. A verdadeira produção nesta fazenda ocorreu em 2007. Nesta data a fazenda estava nas mãos dos camponeses, que garantiram, para população de Capela, alimentos frescos, sem agrotóxicos e baratos.

A época de chuva está aí. E nós vamos trabalhar na terra. Essa é a saída que temos para não deixar nossos filhos crescerem em um ambiente de violência e drogas, com trabalho podemos dar o melhor para as nossas famílias. Já organizamos os roçados para as famílias que chegaram e iniciamos a produção.

Convidamos todos que procuram uma saída digna para a falta de trabalho e moradia, chamamos todos para plantar e produzir conosco.

Terra para quem nela vive e trabalha!

LCP - Liga dos Camponeses Pobres

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