RONDÔNIA - A BANDIDAGEM NO PODER



Como a mídia oculta sistematicamente os crimes contra os nossos camponeses, LUTA POPULAR divulga informações veiculadas pelo site da Resistência Camponesa.

Não basta ficar indignado, é necessário transformar essa indignação em um movimento capaz de evitar a repetição deste trágico fato, infelizmente visto como banal em nossa realidade agrária.

Observem na matéria a aliança entre crime, latifúndio, polícia, representantes políticos e instituições oficiais do governo na promoção dos assassinatos; é o poder burguês em ação sem a máscara de legalidadde com a qual disfarça seu caráter sórdido, de pura exploração e total desrespeito à vida humana. Para esses animais, o ser humano serve somente para produzir riquezas para a classe parasitária. Os assassinatos, no entanto, são um claríssimo exemplo de que o banditismo é o modo de sustentação do sistema em que vivemos. Sob a ação individual do bandido responsável por este crime, há o manto protetor de todo um aparato político-jurídico construído por seus pares para manter-se no poder. Mas o povo já percebe com clareza que está sozinho e que um estado de bandidos como bandido deve ser tratado. Sabe que a morte desses dois camponeses não terá nenhuma consequência para os mandantes, a polícia nada irá apurar, a justiça também não, os órgãos governamentais criados para promover a reforma agrária não se manifestarão, a imprensa nada divulgará. Ou o povo se organiza para acabar com esse estado de coisas ou a barbárie nunca terá fim.


Zantonc

LATIFUNDIÁRIO E BANDO ARMADO TORTURAM E ASSASSINAM CAMPONESES

Escrito por LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

Seg, 14 de Dezembro de 2009

1. No dia 8 de dezembro mais dois jovens camponeses foram assassinados por lutarem pela terra em Rondônia. Élcio Machado, conhecido como Sabiá, e Gilson Gonçalves participavam com outras 45 famílias do Acampamento Rio Alto, em Buritis. Élcio era casado e pai de 3 filhos. Gilson também era casado, mas ele não chegou a conhecer seu filho que deve nascer daqui há 4 meses.

                                Élcio com a filha

2. O latifundiário Dilson Cadalto foi o mandante e seus pistoleiros foram os executores. Eles sequestraram os companheiros quando passavam de moto pela estrada que liga o acampamento a cidade de Buritis.

                                              Élcio

3. Amarraram os pés e as mãos de Élcio e Gilson e os torturaram durante horas. Quebraram seus dentes a coronhadas. Com alicates e facas arrancaram as unhas e tiras de couro das costas dos companheiros. Élcio levou um tiro no braço e teve sua orelha esquerda decepada. Ambos foram executados com um tiro de espingarda calibre 12 na nuca.


                              Tortura - Élcio

4. Este foi mais um crime anunciado. Corpo de Élcio trucidado pelas torturas dos pistoleiros de Dilson CadaltoHá vários meses temos denunciado o clima de terror que Cadalto e seus pistoleiros impuseram aos camponeses acampados e vizinhos.


                              Tortura - Gilson

5. As terras do acampamento Rio Alto são de um antigo Projeto de Assentamento do Incra griladas por Cadalto. Ele tem ganhado rios de dinheiro com a venda de madeira da área e é testa de ferro do deputado estadual Tiziu Jidalias (PP), do ex-senador Amir Lando (PMDB) e de Sobral, delegado da polícia civil de Ariquemes.

                                    Gilson

6. Em julho, seu bando armado despejou o acampamento. Eles já chegaram atirando e atingiram um jovem no quadril. Depois colocaram fogo nos barracos, destruindo todos os pertences dos camponeses.

7. O gerente e afilhado de Cadalto, conhecido como Kaleb, é quem comanda os cerca de 14 pistoleiros. Eles ameaçaram de morte 5 coordenadores, 2 camponeses vizinhos, dirigentes de uma Igreja e qualquer um que apoiar o acampamento. Tentaram assassinar dois camponeses que chegavam ao acampamento, que só não foram mortos porque pularam da moto e conseguiram se proteger na mata. Kaleb teria recebido R$200 mil de Cadalto para "limpar a área" e também um caminhão da família do vice-prefeito de Buritis.

8. Kaleb teria dito aos vizinhos do acampamento que quebrou os dentes dos dois coordenadores e que fará o mesmo com os outros acampados.

9. Viaturas da Polícia Militar de Buritis e do Comando de Operações Especiais de Ariquemes estiveram na sede da fazenda junto com os pistoleiros.

                                Ato em Jaru


10. Veículos com placas frias estão fazendo ronda nas casas de apoiadores e coordenadores da LCP, em Buritis.

11. Quando a esposa de Élcio ainda aguardava notícias sobre o desaparecimento dos companheiros foi abordada por policiais a paisana no centro de Buritis que disseram com sarcasmo: "Nós te conhecemos. Agora não adianta mais levar bilhetinho para os coordenadores."

12. Denunciamos estes e outros crimes inúmeras vezes. Mas a providência que o Ouvidor Agrário Nacional Gercino Filho e o Incra de Rondônia tomaram foi apoiar os crimes do latifúndio e atacar a justa luta dos camponeses pela terra. Como sempre! Gercino e o Incra deram carta branca ao latifúndio para matar, portanto também são responsáveis pelo assassinato de Élcio e Gilson.



13. Élcio era a principal liderança do acampamento, mas os pistoleiros não conheciam seu rosto. Foi numa reunião no Incra no dia 03 de dezembro que os pistoleiros que estavam presentes puderam identificá-lo. Mais uma vez o Incra cumpriu seu papel de dedurar líderes camponeses para os latifundiários executarem sumariamente.

Punição ao latifundiário assassino Dilson Cadalto, ao Kaleb e pistoleiros!

Corte imediato do PA Rio Alto e entrega das terras às famílias acampadas!
O povo quer terra, não repressão!


Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres

LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

Jaru, 14 de dezembro de 2009


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