Manifesto de Repúdio pelo Assassinato dos Pescadores da AHOMAR
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Pescador artesanal João Luiz Telles Penetra, de 40 anos, assassinado devido ao seu ativismo ecológico junto a Baia de Guanabara, local de grande disputa territorial da Petrobras. |
Almir e
Pituca eram lideranças da AHOMAR, organização de pescadores artesanais
que luta contra os impactos socioambientais gerados por grandes
empreendimentos econômicos que inviabilizam a pesca artesanal na Baía de
Guanabara. Ambos desapareceram na sexta-feira, dia 22 de junho de 2012,
quando saíram para pescar. O corpo do Almir foi encontrado no domingo,
dia 24 de junho, amarrado junto ao barco que estava submerso próximo à
praia de São Lourenço, em Magé, Rio de Janeiro. O corpo de João Luiz
Telles (Pituca) foi encontrado na segunda-feira, dia 25 de junho, com
pés e mãos amarrados e em posição fetal, próximo à praia de São Gonçalo,
Rio de Janeiro.
A História de Luta da AHOMAR
A AHOMAR representa pescadores artesanais de sete municípios da Baía de Guanabara e possui 1870 associados. Desde 2007 vem denunciando sistematicamente as violações e crimes ocorridos na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ) um dos maiores investimentos da história da Petrobrás e parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
Em 2009, os
pescadores da AHOMAR ocuparam as obras de construção dos gasodutos
submarinos e terrestres de transferência de GNL (Gás Natural Liquefeito)
e GLP (gás liquefeito de petróleo) realizado pelo consórcio das
empreiteiras GDK e Oceânica, contratadas pela Petrobras. Essa obra
inviabiliza diretamente a pesca artesanal na Praia de Mauá-Magé, Baia de
Guanabara, onde fica a sede da AHOMAR.
Eles
ancoraram seus barcos próximos aos dutos da obra e ali permaneceram
durante 38 dias. Desde então, os pescadores sofrem constantes ameaças de
morte. Em maio do mesmo ano, Paulo Santos Souza, ex-tesoureiro da
AHOMAR, foi brutalmente espancando em frente a sua família e assassinado
com cinco tiros na cabeça. Em 2010, outro fundador da AHOMAR, Márcio
Amaro, também foi assassinado em casa, em frente a sua mãe e esposa.
Ambos os crimes até hoje não foram esclarecidos.
Em função da
violência contra os pescadores e das constantes ameaças de morte, desde
2009 Alexandre Anderson de Souza, presidente da AHOMAR, vive com sua
família sob a guarda do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos
Humanos, vivendo 24 horas por dia com escolta policial. O que não
impediu que Alexandre Anderson sofresse novos atentados contra a sua
vida.
Intensificação das ameaças e novas mortes
No final de 2011 e início de 2012 os pescadores da AHOMAR voltaram a se mobilizar contra os impactos decorrentes das obras do COMPERJ. Com a justificativa de acelerar o cronograma de execução das obras, a Petrobras e o INEA tentaram retomar uma proposta já descartada durante o processo de licenciamento ambiental. A manobra visa transformar o Rio Guaxindiba, afluente da Baia de Guanabara, localizado na Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, numa hidrovia para transporte de equipamentos do COMPERJ.
No final de 2011 e início de 2012 os pescadores da AHOMAR voltaram a se mobilizar contra os impactos decorrentes das obras do COMPERJ. Com a justificativa de acelerar o cronograma de execução das obras, a Petrobras e o INEA tentaram retomar uma proposta já descartada durante o processo de licenciamento ambiental. A manobra visa transformar o Rio Guaxindiba, afluente da Baia de Guanabara, localizado na Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, numa hidrovia para transporte de equipamentos do COMPERJ.
Conscientes
da magnitude dos impactos que seriam provocados sobre a Baia de
Guanabara e a pesca artesanal, os integrantes da AHOMAR denunciaram a
intenção da Petrobras e lideraram uma mobilização em solidariedade ao
Chefe da APA Guapimirim, Breno Herrera, ameaçado de exoneração da ICMBIO
por se opor ao impacto desse empreendimento. Desde então, as ameaças
aos pescadores da AHOMAR se intensificaram.
Para agravar
a situação, no mês de fevereiro deste ano o Destacamento de
Policiamento Ostensivo (DPO) da Praia de Mauá, onde fica a sede da
AHOMAR e a residência do Alexandre Anderson, foi desativado, expondo os
pescadores a novas ameaças e tornando a população local ainda mais
vulnerável. Nesse período pelo menos outras três lideranças da AHOMAR
foram ameaçadas de morte.
Foi neste
contexto, de desarticulação da segurança pública na região e
intensificação das ameaças contra os pescadores que Almir Nogueira de
Amorim e João Luiz Telles Penetra (Pituca) foram assassinados. Trata-se,
portanto, de uma crônica de mortes anunciadas. Ambos foram encontrados
com claras evidencias de execução.
Diante
destes graves acontecimentos manifestamos toda a nossa solidariedade à
AHOMAR e aos familiares dos pescadores assassinados. Ao mesmo tempo,
exigimos:
1. Que os mandantes e assassinos diretos de Almir Nogueira de Amorim e João Luiz Telles Penetra sejam identificados e responsabilizados;
2. Que sejam concluídas as investigações pelas mortes de Paulo Santos Souza e Márcio Amaro, até hoje não esclarecidas, e que seus assassinos também sejam identificados e responsabilizados;
3. Que sejam investigadas todas as ameaças aos pescadores artesanais da AHOMAR.
4. A assinatura pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do Decreto de institucionalização do Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos;
5. O acompanhamento da apuração dos assassinatos das lideranças aqui listadas pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República;
6. O fortalecimento da proteção do Alexandre Anderson e que a escolta policial seja estendida à sua esposa, Daize Menezes de Souza;
7. A imediata reabertura da DPO da Praia de Mauá e o Fortalecimento da Segurança Pública da região;
8. Que a Petrobrás e as empresas a ela vinculadas no escopo das obras do COMPERJ na Baía de Guanabara negociem com a AHOMAR a justa pauta de reivindicações do movimento.
1. Que os mandantes e assassinos diretos de Almir Nogueira de Amorim e João Luiz Telles Penetra sejam identificados e responsabilizados;
2. Que sejam concluídas as investigações pelas mortes de Paulo Santos Souza e Márcio Amaro, até hoje não esclarecidas, e que seus assassinos também sejam identificados e responsabilizados;
3. Que sejam investigadas todas as ameaças aos pescadores artesanais da AHOMAR.
4. A assinatura pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do Decreto de institucionalização do Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos;
5. O acompanhamento da apuração dos assassinatos das lideranças aqui listadas pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República;
6. O fortalecimento da proteção do Alexandre Anderson e que a escolta policial seja estendida à sua esposa, Daize Menezes de Souza;
7. A imediata reabertura da DPO da Praia de Mauá e o Fortalecimento da Segurança Pública da região;
8. Que a Petrobrás e as empresas a ela vinculadas no escopo das obras do COMPERJ na Baía de Guanabara negociem com a AHOMAR a justa pauta de reivindicações do movimento.
Os
signatários abaixo listados seguirão denunciando os extermínios dos
lutadores sociais que estão enfrentando de modo legitimo a destruição
das condições de pesca artesanal na Baia da Guanabara e nas demais áreas
pesqueiras do Rio de Janeiro. Igualmente, acompanharemos o processo de
investigação e as providencias do governo estadual em defesa da
integridade dos demais pescadores em luta. As mortes de Almir, João
Luiz, Paulo e Marcio nos leva a afirmar: somos todos pescadores, somos
todos militantes da AHOMAR!
Assinam:
Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra/ ES
Terra de Direitos
Movimento Nacional de Direitos Humanos
Movimento Nacional de Direitos Humanos/ RJ
Movimento Nacional de Direitos Humanos/ ES
Justiça Global
Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos (DDH)
AMIGOS DA TERRA BRASIL
Centro de Assessoria Jurídica Popular
Centro de Estudos Ambientais
Terra de Direitos
Movimento Nacional de Direitos Humanos
Movimento Nacional de Direitos Humanos/ RJ
Movimento Nacional de Direitos Humanos/ ES
Justiça Global
Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos (DDH)
AMIGOS DA TERRA BRASIL
Centro de Assessoria Jurídica Popular
Centro de Estudos Ambientais
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