ASSENTAMENTO CANAÃ-RONDÔNIA: Camponeses preveem conflito com a polícia

Por Jaqueline Alencar
 
A possibilidade de um conflito entre os integrantes da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia (LCP) do Assentamento Canaã e a polícia, infelizmente está muito próxima. A informação é do radialista P Jotta, representante das 126 famílias que ocupam uma área de 3.600 hectares localizada há cerca de 100 quilômetros de Ariquemes e 40 km de Jaru. O motivo, explica ele, é o mandato de reintegração de posse determinado pela juíza substituta da 3ª Vara Cível de Ariquemes, Elizângela Frota Araújo.
Segundo P Jotta, o mandato deve ser cumprido ainda esta semana. No documento, o grupo de camponeses é informado que policiais militares cumpri-lo e inclusive que a estratégia é atingir três pontos diferentes da área para tentar evitar “qualquer reação e mobilização”, dos que são tratados oficialmente como invasores.
Ao que tudo indica, o direito à posse da terra será dado João Arnaldo Tucci, parte autora do processo de reintegração e conhecido por fazer parte de um grupo de grileiros de terras públicas. Além de grileiro, o latifundiário também é conhecido por praticar roubo de madeira e pistolagem em Rondônia. Mesmo assim, a Justiça decidiu que os camponeses que lutam pelo sagrado direito à terra serão arrancados dela, e deixarão de brinde à João Tucci, tudo o que foi construído pelas famílias no decorrer destes quase 10 anos. E olha não foi pouca coisa!
Representantes do Incra e do Estado já fizeram uma vistoria no local e viu com os próprios olhos, toda a produção, construções e benfeitorias feitas pelos camponeses. Mesmo assim, não se “convenceram”.
Conforme P Jotta, o comando do 7º Batalhão de Polícia Militar de Ariquemes já assegurou que o mandato será cumprido “de qualquer jeito”. “E nós também vamos resistir, de qualquer jeito”, contra ataca.
Os camponeses são sabedores de seus direitos e da justeza de sua luta e, de acordo com o representante, “não estão dispostos a perder tudo o que construíram, não estão dispostos a ir pra cidade, amargar desemprego e fome e verem seus jovens caírem nas drogas. Vamos resistir até as últimas consequências. Se for para morrer, que seja lutando com dignidade por nossos direitos”, indigna-se.
Agora, está na mãos da juíza substituta Elizângela Frota Araújo, evitar mais um conflito pela terra em Rondônia.

Fotos da manifestação pacífica dos camponeses ameaçados:



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