POLÍCIA DO CAPITAL REPRIME MANIFESTAÇÃO CONTRA OBAMA NO RIO DE JANEIRO




OBAMA - GO HOME


Manifestantes realizaram ontem um protesto contra a visita do imperador Obama ao Brasil. O ato ocorreu diante do prédio do consulado norte-americano onde brasileiros são agredidos em sua dignidade e submetidos a procedimentos humilhantes para obterem a concessão de vistos em passaporte. 

Diante da possibilidade de enfrentar uma revolta popular a Casa Branca resolveu cancelar o ato ridículo e midiático que pensava em realizar na Cinelândia. A visita do gran capo do capitalismo, completamente inócua do ponto de vista político, parece, na verdade, uma gigantesca operação de marketing, parte da construção de um mito que começou com a suposta diferença promovida pelo fato de um negro ser presidente dos Estados Unidos (como se democracia, respeito aos direitos humanos, amor à liberdade, solidariedade, valorização das ideias de pluralidade, tolerância, convivência, combate à miséria e à opressão, senso de justiça, e tantas outras questões políticas relevantes, fossem alcançadas pela simples chegada ao poder de alguém pertencente à etnia historicamente discriminada). 

Aliás, não queria prolongar o parênteses anterior, porém não dá para deixar passar em branco, essa concepção é análoga àquela que, ingenuamente, considerava que o fato de Lula ter sido operário faria dele um representante da classe operária, ou que Dilma, por ser mulher, representaria um novo modo de governar. Ora, Lula foi, na verdade, um Fernando Henrique que deu certo, isto é, executou à perfeição todos os mandamentos do neoliberalismo, e Dilma, pela fidelidade canina aos interesses dos banqueiros, ruralistas, empreiteiros e megaempresários, aproxima-se mais da Margareth Thatcher, que exerceu o poder com uma intransigência capitalista a toda prova. Quanto a Obama nada mais é do que o novo representante dos interesses imperiais norte-americanos. 

O que veio fazer aqui?

A imprensa não dá uma vírgula, mas a intenção de criar uma Bacia do Atlântico para ter controle sob o pré-sal é o ponto mais importante da pauta. Controle que se dá também pela criação de mecanismos de financiamento destinados a tornar os campos operacionais (o Eximbank já abriu crédito "generoso"), que se dá ainda pela prática criminosa de leilões (verdadeiros crimes de lesa-pátria) nos quais todos sabem antecipadamente quem ficará com qual poço, que ocorre também com a desnacionalização da Petrobrás e pela completa entrega de seus segredos a empresas sem a menor credibilidade, como a Halliburton. Não contente com isso, os norte-americanos ainda acionaram os mecanismos históricos de persuasão que usam em situação de conflito: providenciaram o deslocamento do aparato militar para a proximidade do território brasileiro e operam a criação de uma rede de bases militares em países vizinhos. 

Claro está que mais uma vez, nos acordos secretos, devem propor o cerco à comunidade árabe que vive no Brasil, impor normas sobre o combate ao tráfico de drogas, questionar patentes e assinar acordos comerciais normalmente desvantajosos ao Brasil, oferecendo como compensação, para variar, tecnologias obsoletas e condicionando o seu emprego a termos do interesse ianque, como, por exemplo, proibir a exportação para a lista de países com os quais têm divergência.

Apesar da intensa lavagem cerebral, apesar da gigantesca campanha midiática, apesar de a Casa Branca ter comprado horário na televisão brasileira, alugando Faustão, Fantástico, entre outros programas, a sua vinda é um retumbante fracasso.  

Não há plateia popular aqui para o seu envelhecido discurso, apenas claque adestrada, crianças de UPP, obrigadas a comparecer, membros de igrejas evangélicas instrumentalizadas por pastores de igrejas sediadas nos EUA, membros do Educafro e estudantes cotistas alimentados por políticas raciais elaboradas pelo Departamento de Estado, bolsistas da Fundação Rockfeller que, acintosamente, compra parte da consciência negra, instrumentalizando as novas lideranças e direcionando-as para o universo universitário, domesticando-as ao afastá-las da luta pela transformação da sociedade e acenando com o mito da inclusão social.

Os Estados Unidos não têm nada a nos oferecer. Seus interesses são sempre os mesmos, sugar, sugar, sugar todos os povos do mundo, mas particularmente com mais arrogância e com furor redobrado os países latino-americanos.

Por isso todo o protesto contra a vinda inoportuna de Obama é justo e legítimo.

FORA OBAMA!

Zantonc

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