Rio: moradores da Penha acusam soldados de executar adolescente


Parentes e vizinhos de William Abrahão, 15 anos, executado na noite de segunda-feira por soldados da Força de Pacificação (?) no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, negam a versão do Exército de que a morte do garoto tenha sido provocada por um confronto entre criminosos e soldados. Segundo um primo da vítima afirmou ao RJTV, ele viu os militares apontando um fuzil para William e outros dois homens. Os três estavam deitados no chão e não reagiram. Ainda de acordo com outra moradora, os soldados ameaçaram matar um segundo homem depois da morte do garoto. "Ele disse que mataria um dos homens deitados no chão porque tinham presenciado a morte do William", acusou a mulher, que diz ter testemunhado a ação. 

Mais cedo, o porta voz da Força de Pacificação, o coronel Malbatan Leal reafirmou, sem nenhuma prova concreta,  que o garoto de 15 anos morto ontem no Mirante da Chatuba, na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, tinha envolvimento com o tráfico de drogas local. Ainda segundo informações do Exército, o garoto morto depois de uma suposta troca de tiros, estava em companhia de outros dois homens que trocaram tiros com agentes da Força de Pacificação. No entanto, nenhum armamento e nenhuma quantidade de droga foi apreendida com o menor baleado. "Não conseguimos capturar os outros dois. Eles devem ter levado o armamento consigo". Até o fim da manhã desta terça-feira, o corpo do garoto ainda não havia sido liberado para o Instituto Médico Legal. 

Toda a imprensa divulgou e corroborou a versão oficial, pois age como porta-voz do poder. Para a grande imprensa a supressão de vidas humanas para atender aos jogos do poder é algo legítimo, já que ela ajuda a construir o caldo de cultura capaz de legitimar a ideia central da segurança pública no Rio de Janeiro atualmente: a realização de uma faxina que limpe a cidade  para a realização dos grandes eventos. Daí relatar que houve tiroteio (quando não há ninguém na comunidade que sustente essa versão),  que o morto era traficante, que a arma e a droga desapareceram (partes integrantes do kit-extermínio largamente usado pela polícia carioca) já fazem parte de uma prática tradicional da imprensa oficial de desqualificar as vítimas, criminalizando-as e, dentro da lógica da perversão que a caracteriza, se o morto é bandido, então a execução se justifica, ou seja, assume a legalização camuflada da pena de morte no Brasil.

Quem fiscaliza a ação de soldados despreparados para proteger a população? Até quando jovens serão assassinados sem qualquer justificativa convincente? A cena do crime foi preservada? Foram feitos estudos por peritos para confirmar a versão do exército? A família será indenizada? As testemunhas foram ouvidas? Os responsáveis serão punidos? Tantas perguntas para respostas que já sabemos de antemão. Mas de uma coisa temos certeza: não é  função do exército executar jovens brasileiros.

Zantonc
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