Estudantes ocupam reitoria da Universidade Federal de Rondônia

Eles reivindicam melhorias na infraestrutura do campus de Porto Velho.
Professores rejeitam reunião que decretou fim da greve dos docentes.


Estudantes na reitoria ocupada da Universidade Federal de Rondônia (Foto: Reprodução/TV Rondônia) 
 
Estudantes na reitoria ocupada da Federal de
Rondônia (Foto: Reprodução/TV Rondônia)
 
Estudantes da Universidade Federal de Rondônia (Unir) invadiram na manha desta quarta-feira (5) o prédio da reitoria da instituição, que fica no campus de Porto Velho. Segundo uma estudante que preferiu não se identificar, cerca de 300 estudantes estavam dentro do prédio às 18h desta quarta. Os universitários decidiram, em assembleia, que só negociarão a desocupação do prédio após a renúncia do reitor José Januário de Oliveira Amaral.

A assessoria de imprensa da reitoria publicou, no site oficial da Unir, uma nota na qual afirma que a ocupação se caracteriza como “apropriação indevida de prédio público” e que . “funcionários federais foram prejudicados com tal ato, uma vez que estão impedidos de entrar no prédio e exercer suas atividades administrativas”.

Ainda de acordo com a nota, a Polícia Federal foi acionada e a reitoria já solicitou a reintegração de posse a Justiça Federal. “Esperamos que em breve as atividades retornem à sua normalidade, tendo em vista os princípios de democracia e boa conduta inerentes ao poder constituído enquanto instituição pública federal, que é a Unir.”

Empurrão

De acordo com a estudante que falou ao G1, a entrada no prédio ocorreu às 6h desta quarta sem violência. O grupo disse que conseguiu abrir uma das entradas laterais do edifício com um empurrão, porque a porta estava em condição precária. Eles afirmam que vidros e maçanetas permanecem intactos e que, na hora da ocupação, apenas uma vigia estava no local, e preferiu sair para não provocar tumulto.

O grupo reivindica ainda uma série de melhorias na infraestrutura da universidade que, segundo eles, já havia sido prometida pelo reitor em greve realizada em 2008, mas até agora não saiu do papel. “Ele maquia toda a situação, fez uma pintura nos prédios, colocou cadeiras em alguns cursos e ficou por isso mesmo”, disse a integrante do comando de greve estudantil.

Entre as demandas estão laboratórios, banheiros, papel higiênico, água, bebedouro, sistemas de iluminação e segurança.

“O laboratório de anatomia está vazando formol, não temos restaurante universitário, coisas que dizem que são mínimas ao ponto de se pedir papel higiênico, porque não tem. Nós nem ao menos temos o mínimo para nos formar”, afirmou a universitária.

Estudantes na reitoria ocupada da Universidade Federal de Rondônia (Foto: Reprodução/TV Rondônia) 
 
Estudantes colocaram cartazes de protesto na reitoria ocupada (Foto: Reprodução/TV Rondônia)
 
Professores

O corpo docente da Unir entrou em greve no dia 14 de setembro. Nesta terça-feira, um comunicado no site da universidade afirmou que os professores haviam votado, na tarde desta quarta-feira, pelo fim da greve, mas parte deles disse que a reunião onde isso foi definido era inválida.

De acordo com o professor Adilson Siqueira, “a assembleia não tem respaldo nenhum, e a deliberação feita por esse grupo de professores não representa o conjunto do movimento”. Ele diz que a reunião não foi convocada pela diretoria da Associação de Docentes da Unir (Adunir) ou pelo comando de greve, e contou com a participação de entre 40 e 60 professores, incluindo pró-reitores e diretores de cursos.

Ainda segundo ele, cerca de 150 professores contrários à realização da reunião assinaram um comunicado extra-judicial antes do seu início. A assembleia anterior, realizada na quinta-feira (29), decidiu que o próximo encontro deliberativo dos docentes acontecerá na segunda-feira (10).

Siqueira estimou em 100 o número de professores que seguiam em um ato público permanente em frente ao prédio ocupado “garantir a segurança dos estudantes”.

O grupo também pressiona o Congresso Nacional por uma audiência pública para discutir a crise na universidade e debater a qualidade do ensino superior no Brasil e, segundo Siqueira, não pretende dialogar mais com o reitor. “Não tem mais o que conversar com o reitor, nós queremos tratar diretamente com o Ministério da Educação.”

Além de levar a discussão a Brasília, o comando de greve também acionou o Ministério Público do Trabalho de Rondônia no dia 23 de setembro. Os professores pediram a interdição do campus de Porto Velho por falta de infraestrutura. Entre as reclamações citadas está a proximidade do campus de um aterro sanitário que emite gases no local e a falta de limpeza das caixas d’água que abastecem os prédios da universidade.

A assessoria de imprensa do MP informou que o pedido está em análise e não há prazo para a resolução.

 Fonte: http://g1.globo.com/

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