Imagens chocantes da violência contra professores dentro Palácio da Rede...




Professores passam por cima de direção e fazem greve histórica na Paraíba Trabalhadores da educação chegaram a ocupar o Palácio do Governo

Por LISSANDRO SARAIVA (TANQUE), DE JOÃO PESSOA (PB)

• De fevereiro a abril, os trabalhadores e trabalhadoras em educação do estado da Paraíba realizaram quatro assembléias para discutir seus problemas e a situação da Educação. Das 1.080 escolas do estado, cerca de 400 estavam sem condições de iniciar o ano letivo, segundo levantamento do Sintep, e mesmo assim o ano letivo teve início.

Os trabalhadores demoraram em convencer a direção do Sintep (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba) a construir a greve, pois a cada mês a direção do sindicato inventava uma nova desculpa para não deflagrar a paralisação.

Greve

Finalmente, na assembléia realizada no dia 29 de Abril, os trabalhadores aprovaram a greve por tempo indeterminado com as seguintes reivindicações: cumprimento da lei do Piso nacional para educação com reajuste imediato, concurso público, PCCR para o pessoal da secretaria e apoio, eleição direta para diretor nas escolas em todas as cidades (hoje só existe eleição em cidades com mais de 10 mil habitantes) retorno da carga horária de 6 horas corridas para o pessoal da secretaria e apoio.

O movimento grevista foi tomando corpo e hoje cerca de 75% da categoria está em greve, sendo as maiores cidades o carro chefe da greve e as grandes escolas paradas. O grande problema são os prestadores de serviço, cerca de 6.000 contratados, que foram constantemente ameaçados e que se negaram a entrar em greve, enfraquecendo o movimento em algumas regiões.

O governo afirma a todo o momento que não tem condições de pagar o piso neste momento e nos ofereceu em troca uma “Bolsa de Desempenho Docente” no valor de até R$230,00, onde só quem receberia seriam aqueles que estiverem em sala de aula. Isso excluiria até os aposentados e todos aqueles que por algum motivo não estivessem em sala. Para o pessoal da secretaria e apoio, ele mantinha a dupla jornada de oito horas, mas daria uma bolsa transporte no valor de R$60,00 para os trabalhadores das cidades de João Pessoa e Campina Grande.

A categoria negou prontamente a proposta e continuava exigindo o cumprimento da Lei do Piso. No dia 18 de maio o governador apresenta uma nova proposta, onde ele incorpora a GED – Gratificação de Estimulo a Docência (esta gratificação existe há mais de 20 anos e é de 40% do salário), mais a bolsa de R$230,00. Com a incorporação da GED ele passaria a cumprir a lei do Piso.

Assim, um professor de nível médio que hoje ganha R$661,55 de vencimento (para uma carga horária de 30 semanais) + R$264,62 de GED, recebe um total de R$926,17. Com a proposta do governo ele passa a ter um vencimento de R$926,17 + a bolsa desempenho de R$230,00.

No dia 20 de maio a direção do sindicato tentou aprovar a proposta do governo, mas a base estava revoltada com a manobra para cumprir a lei retirando uma gratificação de mais de 20 anos. E assim, por maioria, a continuação da greve foi aprovada, mesmo a direção tendo sido contra, e uma nova assembléia estadual foi marcada para o dia 30 de maio.

Durante toda a semana a direção do Sintep tentou quebrar a greve, mas a oposição acabou de fato tomando o movimento grevista nas mãos. Tudo indicava que a greve, no entanto, acabaria na assembléia desse dia 30. Foi quando aconteceu um fato novo.

O pagamento que está programado para o dia 31, já viria com esses valores, mas quando os holerites saíram dia 27 no site do governo, a categoria tomou um susto. O governo havia descontado as faltas de uma parte da categoria de forma arbitrária e autoritária, mesmo sem ter pedido a ilegalidade da greve.

Cerca de 15% dos trabalhadores tiveram seus salários descontados e de forma aleatória, pois trabalhadores de algumas escolas que furaram a greve tiveram também descontos, que variavam de R$600,00 até R$800,00.

Ocupação do Palácio

Com os salários cortados a categoria foi para a assembléia revoltada, com “sangue nos olhos”. Vários ônibus do interior vieram e mais de 1.000 trabalhadores participaram da assembléia que aconteceu hoje pela manhã.

Foi uma assembléia rápida que logo se transformou em passeata pelas ruas da cidade até o Palácio da Redenção, local onde o governador despacha. Ao chegarmos lá a massa de trabalhadores ocupou o palácio e exigia uma negociação. Mais de 600 trabalhadores tomaram os dois andares do prédio, o que é um fato histórico. Desde a revolução de 1930 ninguém ocupava o Palácio da Redenção.

O sentimento da categoria era de ficar no prédio até a negociação acontecer, mas o chefe da Casa Civil negociou com o comando de greve (que é formado na sua maioria por membros da direção cutista) a retirada dos trabalhadores do palácio e de lá iriam para a Assembléia Legislativa, onde se iniciariam as negociações.

A base, porém, negou-se a sair do palácio e a direção tentou insistentemente convencer os trabalhadores. Como não conseguiu, saiu com uma parte da categoria e o carro de som, abandonando parte dos trabalhadores a própria sorte.

Nós que fazemos a oposição ao virmos o movimento dividido e constatando que naquele momento a correlação de forças não era favorável a nossa permanência no palácio, realizamos uma reunião com os trabalhadores que resistiam no palácio, cerca de 300, e denunciamos a manobra da direção de nos ter abandonado lá, mas chamávamos a todos para irmos a Assembléia Legislativa para depositarmos um voto de confiança no acordo da direção.

Tínhamos a clareza de que naquele momento não podíamos ser acusados de dividir o movimento e mesmo sendo contrários ao acordo que o comando fez, nós iríamos à assembléia e esperaríamos essa negociação.

Por volta das 15h teve início uma tensa negociação na assembléia entre o comando de greve e o chefe da Casa Civil, que representava o governador, alguns deputados do PT e o presidente da Assembléia Legislativa. Depois de quatro horas de negociação e os trabalhadores ocupando a assembléia e esperando um desfecho, o governador mandou informar que, com o movimento em greve, não negociará os descontos e avisou ainda que vai pedir a ilegalidade da greve.

A categoria ficou mais revoltada ainda, com o governador e com a direção do sindicato. Mas a greve continua, e agora mais radicalizada, teremos uma nova assembléia estadual na próxima quinta-feira dia 2 de Junho.


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