VIVA A LUTA DO POVO DE OAXACA!


















A sétima megamarcha toma as ruas de Oaxaca, México
Ontem(25), milhares de pessoas saíram as ruas de Oaxaca, México, para protestar pela saída do governador Ulises Ruiz Ortiz (PRI)e da Polícia Preventiva Federal(PFP), e também pela liberação dos presos políticos. Essa foi a Sétima megamarcha convocada pela Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO) e atingiu cerca de 6 km de marcha. Nessa convocação o chamado era de cercar pacificamente a PFP, que ocupa desde o dia 29 de Outubro o centro da cidade promovendo uma guerra de baixa intensidade, isto é, detenções arbitrárias, agressão verbal às mulheres que passam pelas barreiras policiais, invasão de casas e interferência na rádio Universidade.
No entanto, a tarde, após a megamarcha se aproximar da PFP no centro, desencadeou-se uma série de repressão que já adentra a noite: muitos detidos, feridos, desaparecidos e casos de torturas. Sabe-se que a polícia atirava com balas de chumbo contra a multidão encurralada na praça da Santo Domingo. Às 21 horas, a APPO convocou a todos que retornassem à Universidade e deixassem as ruas:"hoje a situação é muito grave", reporta a rádio APPO.
Confirmam a morte de três pessoas na área da faculdade de medicina durante um tiroteio agora a noite e a Rádio APPO avisa que está em operação as "caravanas da morte", isto é, caminhonetes brancas com paramilitares fortemente armados. Também não se descarta a hipótese de uma possível intervenção do Exército mexicano. A APPO pede apoio de organizações nacionais e internacionais para fazerem mobilizações condenando essa ação do governo federal que apoia o governo de Ulises Ruiz Ortiz.















Entenda o que está acontecendo em Oaxaca

Por REVOLTA SOCIAL NO MÉXICO 02/11/2006 às 17:00

O Estado de Oaxaca, México, vive dias de insurreição pacífica e organização popular. Em contrapartida, também é o cenário de um estado de violência e repressão política, que já resultou em muitos feridos e mortos.
O início deste processo data de 22 de maio, durante manifestações de professores que exigiam aumentos salariais, entre elas uma marcha de 70 mil pessoas. Em resposta à reivindicação da categoria, o governador Ulises Ruiz adotou a tática da repressão contra os professores, causando imensa indignação no povo de Oaxaca. Camponeses e indígenas aderiram aos protestos e formaram a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), exigindo a destituição de Ulises.
E não parou por aí, a APPO reivindica que Oaxaca seja gerida pelo próprio povo, através de assembléias populares. A repressão só aumenta a cada dia, tendo assassinado muitas pessoas, entre elas Brad Will, jornalista do Centro de Mídia Independente (CMI). O presidente mexicano Vicente Fox e o governador Ulises Ruiz estão dispostos a acabar com o movimento popular de Oaxaca com mais violência, enviando soldados para o Estado.

















Em Oaxaca estamos vivendo um processo de insurreição popular"
Por trad. cesar sanson 01/11/2006 às 19:53
Miguel Linares, professor e integrante da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), comenta o que vem acontecendo em Oaxaca naquilo que já vem sendo denominada a "Comuna da Oaxaca", em alusão à "Comuna de Paris".
A entrevista foi concedida a Hernán Ouviña da Prensa De Frente, 1-11-06.
Poderia se apresentar e comentar porque estão realizando no Distrito Federal este acampamento e a greve de fome?
Somos grevistas de fome da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca. O motivo principal desta greve se baseia em três objetivos fundamentais. O primeiro é que pedimos o afastamento de Ulises Ruiz Ortiz, governador do Estado de Oaxaca. O segundo, é divulgar e expor a situação que estamos vivendo aos meios de comunicação nacionais e internacionais. O terceiro, é o chamado à solidariedade tanto no México como no resto do mundo de todas as organizações independentes, para que o nosso povo não continue sendo massacrado como o que vem acontecendo nesses dias na cidade de Oaxaca.
Quando surge o conflito no Estado de Oaxaca?
Nós, os trabalhadores da educação, todos os anos no mês de maio temos a revisão do contrato coletivo de trabalho. Neste último ano solicitamos ao governo do Estado a "rezonificação pelo alto custo de vida" de todos os integrantes do magistério, para que se aumentasse o salário em igualdade aos trabalhadores do resto do país.
Qual é a situação atual dos professores em Oaxaca?
Há uma minoria que se encontra nas grandes cidades dos municípios, mas a grande maioria dos professores está em uma situação extremamente precária. Muito de nós leva mais de 18 horas para chegar aos locais de trabalho ou regressar para casa. Às vezes, se vai mais da metade do salário com transporte. Em lugares como na Costa, por ser uma região turística, a comida é muito cara. Apesar dos baixos salários, nós temos que comprar todo o material que necessitamos. Pagamos inclusive nossos próprios cursos para nos capacitarmos. A imensa maioria do magistério oxaqueño está em situação desesperadora.
A prática educativa estatal manifesta em geral um colonialismo e um desprezo pela cultura indígena que é muito forte. O que tentam fazer contra isso?
No total, nas comunidades de Oaxaca há 16 línguas indígenas. A maioria dos professores fala outra língua além do espanhol. No meu caso, falo zapoteco. Mas, salvo exceções temos bem claro que a nossa tarefa não é chegar nas comunidades e colonizar, tampouco impor uma cultura aos companheiros. Às crianças reconhecemos como companheiros porque sentimos também que aprendemos com eles.
Os professores quando chegam a uma comunidade devem respeitar a língua da criança. Nada pior do que querer impor o espanhol. Explicamos a criança que se ela aprende o espanhol é para que defenda a sua língua. Então a criança entende: aprende o espanhol, mas mantém a sua própria língua e cultura. Também tentamos gerar um processo democrático dentro das salas, apesar de que a construção das salas tenha uma "parte alta", local onde fica o professor. Nós dizemos que essas estruturas não podem ser permitidas em Oaxaca.
Nas salas, muitos de nós construímos o coletivismo com as crianças, como parte desse processo. Em Oaxaca se tem aplicado muitas as idéias de Paulo Freire que estão muito arraigadas entre os professores. Mas, Paulo Freire nos tem chegado um pouco limitado porque ao final a sua prática terminou em parte ligada aos aparatos institucionais do Brasil. Então, retomamos a sua experiência, com a cubana, ainda que também tenhamos a nossa própria experiência de educação alternativa em Oaxaca. É um processo muito amplo, nesse caminho é que estamos.
Qual foi a resposta que o governo deu as demandas dos professores?
Frente a nossa proposta não encontramos nenhuma resposta. O governo fechou qualquer negociação. No dia 22 de maio decidimos iniciar uma greve e fazer um acampamento em Oaxaca, pensando que iam nos dar uma resposta imediata. Porém, o governador Ulises Ruiz se fez de surdo até o dia 14 de junho. Nesse dia a resposta foi às quatro da madrugada com uma intervenção policial, com mais de três mil policiais do Estado e municipal, por via terrestre e com helicópteros. Agrediram com tudo o que tinham em mãos: cachorros, gás lacrimogêneo, etc e mesmo quando as pessoas não esboçaram nenhuma reação para resguardar a sua integridade (professores e professoras aposentados, crianças, mulheres grávidas) houve vários feridos.
Às seis da manhã, os professores voltaram com o apoio do povo e recuperaram o Zócalo (praça central), expulsando os policiais. Isto fez com que as pessoas olhassem os professores como corajosos. Por detrás dos professores começaram a se juntar a imensa maioria das comunidades de Oaxaca, primeiro da capital e depois de todo o Estado. E assim se cria a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), na qual a reivindicação dos professores ficaram de lado por uma outra que se tornou central que é "Fora Ulises Ruiz de Oaxaca"!
O povo assumiu o controle de Oaxaca e começou a formar barricadas porque havia "esquadrões da morte", policiais vestidos de civis, que foram vistos inclusive em imagens de televisão nacional e fotografias, paramilitares que se aproximavam das barricadas e atiravam. Durante todo esse processo ao redor de 15 pessoas morreram e acabam de nos informar que mais outro companheiro morreu.
O que aconteceu logo após a primeira tentativa de repressão?
Fizemos grandes manifestações, inclusive com mais de 500 mil pessoas nas ruas de Oaxaca, coisa que nunca se havia visto, mas mesmo assim não fomos ouvidos pelo governo. Não apenas não faziam pouco caso, como em todas as noites seguiam reprimindo. Então dissemos: precisamos "tirar" este problema de Oaxaca. E iniciamos em 22 de setembro uma marcha até o Distrito Federal. Ao redor de cinco mil pessoas de Oaxaca, entre professores e organizações sociais caminhamos mais de quinhentos quilômetros. Chegamos no dia 9 de outubro e uma semana depois - 16 de outubro - instalamos esse acampamento em greve de fome indefinida sobre a base dos pontos que mencionei.
Que tipo de práticas e espaços comunitários começam a se organizar em Oaxaca?
Antes da repressão nos tínhamos uma rádio que se chamava "Plantão", que transmitia sobretudo ao que são dos Valles Centralles da Capital. Durante a repressão, o primeiro que fizeram foram tirar do ar essa rádio. A destruíram. Mas de maneira simultânea a repressão, às seis horas da manha, ao inteirar-se os estudantes que se havia bloqueado a comunicação com o povo através da Rádio Plantão, tomam a Radio Universidade, e assim se começa novamente a se dar a voz ao povo.
Mas em pouco tempo nos tiraram também essa. Frente a isso as mulheres reagiram com uma mobilização no dia 1º de agosto tomando uma televisão e rádios oficiais. Não passou muito tempo até que os paramilitares tentaram bloquear as antenas. Nesse dia morreu outro companheiro. Respondemos tomando novas rádios em Oaxaca. Depois de várias negociações com as autoridades nesses dois meses, de doze que havíamos tomado, devolvemos dez e as outras as destruíram, mas mantivemos a Radio Lei, a única que resta não bloqueada. Conseguimos também fazer com a Radio Universidade voltasse a entrar no ar e funciona até o momento.
Estas mobilizações e tomadas de rádio estão sendo um ato de espontaneidade da sociedade porque já estamos fartos de 76 anos de governos priistas. Todos esses meios sempre eram para "mediatizar", sempre insultado os professores e as pessoas humilde, falando o tempo todo o governador. Por isso foi uma reação natural das pessoas este ?Já Basta!? a todos os meios que estavam idiotizando Oaxaca.
Como surgiram as barricadas e qual é a situação que se vive ali?
A princípio nem os professores pensavam que Oaxaca ia explodir dessa maneira. Começamos a ver isso quando nos agrediram no dia 14 de junho e imediatamente houve uma resposta da população em geral. As pessoas se solidarizaram com os professores e se integraram às ações. As barricadas surgem aí, quando começamos a ser agredido por grupos paramilitares. Começam a se formar então autodefesas para não permitir que andassem circulando livremente por Oaxaca. Criaram-se pequenas barricadas. A barricada maior foi quando estes senhores atacaram a Radio Lei e mataram um companheiro. Criaram-se em toda Oaxaca, centenas de barricadas. Inclusive antes da incursão da Polícia Federal Preventiva com os militares, chegaram a haver mais de 1600 barricadas. Por isso é um processo de insurreição popular que estamos vivendo.
Também ocuparam edifícios públicos neste tempo todo de luta?
Claro, dos três poderes de Oaxaca. Todos os escritórios públicos estiveram durante várias semanas em mãos do professores e do povo e foram defendidas com barricadas.
Quem integra a APPO e de que maneira se tomam as decisões?
A APPO ao início começou com 340 organizações ao redor de um ponto central que era o afastamento de Ulises Ruiz Ortiz. A partir daí se começou a se organizar comissões internas, como as da imprensa, barricadas e propaganda. Começamos a organizar uma rede em Oaxaca de organizações e qualquer ação que quiséssemos realizar passava por uma consulta às bases, tanto dos professores como da própria APPO. Este é o mecanismo de funcionamento e sempre há reuniões com todas as organizações e com os delegados das comunidades e das barricadas. As decisões e determinações se tomam de maneira coletiva.
Assim é nossa resistência civil e pacifica no Estado de Oaxaca. Inclusive foram organizadas Assembléias Populares do Povo em Guerrero, em Morelia e no Estado do México, que são muito simbólicas, são embriões que poderiam ir marcando uma pauta de organização nacional. Este é um processo que está acontecendo no país ao lado de um processo eleitoral onde milhares de mexicanos inquietos rechaçam este novo presidente "eleito" (Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional).
Qual tem sido a reposta dos partidos tradicionais frente a situação de auto-organizaçao da APPO?
As organizações institucionais, com são os partido políticos em Oaxaca, ficaram totalmente de fora. Tanto o PRI, como o PAN, demonstraram ser inimigo do povo. Inclusive o PRD que se dizia de centro-esquerda ficou de fora: se bem que muitos de sua base estão com a APPO, mas seus dirigentes ficaram calados e se viram obrigados a reconhecer que as pessoas aturam por si mesmas, sem eles.
Mas além do afastamento de Ulises Ruiz, qual é a proposta política da APPO?
Independente do que já está acontecendo, nós já tínhamos uma convocatória para organizar o Congresso Constitutivo da APPO. O que queremos dizer com isto? Que as comunidades, áreas rurais, sindicatos e toda organização popular iriam nomear delegados para que este Congresso acontecesse e onde se iriam discutir plataformas, princípios e formas de organização. A proposta era para os dias 8, 9 e 10 de novembro, mas diante de tudo que está acontecendo creio que teremos que reprogramar. Esperamos que não tenhamos que adiar muito, mas de qualquer forma assim já estamos conformando o novo poder popular em Oaxaca.
Muitos denominam o processo que vocês estão protagonizando como a "Comuna de Oaxaca". A que se referem?
Creio que se alude aos processos de organização interna: o de ter nossos "topiles", ou organizarmo-nos em assembléias e através de barricadas, ou o enfrentamento direto com as forças policiais. Refere-se à questão da auto-organizaçao, embora ainda não chegamos ao que era a Comuna de Paris. Mas a idéia de "Comuna" em Oaxaca se refere a práticas das comunidades indígenas que mantiveram este processo desde faz muitos anos. A nossa é uma insurreição com algumas tendências de poder popular parecidas com as da Comuna de Paris. Mas de toda maneira é um embrião que estamos trabalhando.
Pode comentar brevemente o que são os "topiles"?
Resgatamos isso das comunidades indígenas. Nelas não há policia vestida de uniforme e portando armas de fogo. A autoridade são os campesinos e indígenas que não tem em mãos mais que um bastão e um "chipote". Não há necessidade de armas, eles são a autoridade. Em caso de uma contenda de vizinhança, chegam e resolvem o problema. Os "topiles" exercem gratuitamente a justiça junto ao povo, sem receber salário por isso.
De que maneira são eleitos?
Em assembléias comunitárias. Essa experiência indígena, a trouxemos para a capital de Oaxaca quanto começou o nosso movimento. Os "topiles" são os companheiros que se propõe voluntariamente ou são eleitos em suas organizações para exercer esse papel nas barricadas, nas funções de autodefesa contra os policiais e os ladrões.
À margem dessa enorme influência indígena, como se caracteriza esta luta em Oaxaca com as resistências que se têm dado no resto da América?
A nossa influência vem de nossas comunidades indígenas que se regem por "usos e costumes" através de assembléias comunitárias, nosso processo de luta não é algo isolado, mas sim faz parte de todo um conjunto. A experiência que temos hoje também é resultado do que tem acontecido no Equador, no Brasil e na Argentina. Estamos irmanados a todos os processos que acontecem na América Latina e também nos Estados Unidos com nossos companheiros migrantes. Por isso esperamos que a solidariedade nacional e internacional com a nossa luta seja imediata. De fato já a estamos tendo: temos informação que na Espanha, Itália, Estados Unidos e outros lugares mais, se estão realizando mobilizações e protestos em frente a Consulados e Embaixadas. Acreditamos que o futuro da humanidade pode mudar e que podemos levar a cabo desde o lugar em que nos encontramos.
Qual é a situação que se vive hoje em dia em Oaxaca depois das recentes repressões?
Creio que o governo é inteligente e vai retirar a sua força policial. Senão teremos uma batalha campal em Oaxaca, porque nós não vamos entregar a cidade à Polícia Federal Preventiva.
Por último, como estão de ânimo?
Seguimos confiantes que o nosso movimento tem que triunfar porque não é uma rebelião de poucos grupos ou de algumas alas "radicais", mas sim uma insurreição popular. Quem não entende isso, seguirá tratando de calar estas vozes com baionetas. Podem calar por um momento em algum lugar, mas surgirão em outros lugares e a batalha continuará.
Desde o acampamento de greve de fome frente ao Hemiciclo a Juarez.
Cidade do México, 29 de outubro 2006.























(Tradução) Noam Chomsky e outros intelectuais e artistas em apoio a Oaxaca
Por La Jornada. Tradu: alexzapa 02/11/2006 às 13:53
Alarme entre comunicadores e artistas
Estamos extremadamente alarmados de ver que em vez de tomar medidas severas contra os violentos paramilitares que têm lançado constantes ataques contra o povo de Oaxaca, o presidente Vicente Fox usa os assassinatos como pretexto para escalar a violência contra a organização de base do povo.

Como companheiros trabalhadores da comunicação e artistas, honramos a memória do jornalista independente, documentarista e respeitado ativista Brad Will, quem foi brutalmente assassinado enquanto filmava o movimento popular em Oaxaca. Junto com Brad, nessa última semana morreram ao menos outras seis pessoas às mãos de agentes do ilegítimo governo de Ulises Ruiz e as forças federais que agora ocupam Oaxaca, entre elas, Emilio Alonso Fabián (professor), José Alberto López Bernal (enfermeiro), Fidel Sánchez García (pedreiro) e Esteban Zurita López.

Finalmente, em solidariedade ao povo de Oaxaca somamos nossas vozes a estas demandas:
1. Ulises Ruiz fora de Oaxaca!
2. Retirada imediata das forças federais da ocupação de Oaxaca!
3. Liberdade imediata e incondicional a todos os detidos!
4. Justiça para todos os companheiros assassinados e castigo para todos os culpados em todos os níveis!
5. Justiça, liberdade e democracia para o povo de Oaxaca!

Noam Chomsky, John Berger, Arundhati Roy, Antonio Negri, Naomi Klein, Howard Zinn, Eduardo Galeano, Alice Walker, Michael Moore, Tariq Ali, Mike Davis, John Pilger, Michael Hardt, Alessandra Moctezuma, Anthony Arnove, Bernadine Dohrn, Camilo Mejía, Roxanne Dunbar Ortiz, Daniel Berger, Danny Glover, David Graeber, Eve Ensler, Francis Fox Piven, Gloria Steinem, Gustavo Esteva, Jeremy Scahill, Mira Nair, Oscar Olivera, Roisin Davis, Starhawk e Wallace Shawn.


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