domingo, junho 05, 2011

SÉRGIO CABRAL, O VÂNDALO, INCENDEIA OS BOMBEIROS DO RIO DE JANEIRO







"A ocupação, na noite de sexta-feira 3, do quartel geral do Corpo de Bombeiros promovida por militares e guarda-vidas que reivindicavam aumento salarial resultou na prisão de 439 pessoas e na demissão do comandante da corporação, Pedro Marco Cruz Machado, substituído pelo atual secretário de Defesa Civil do município do Rio, Sérgio Simões." Leio os desdobramentos da greve dos bombeiros em Carta Capital. Sei que ontem ocorreu manifestação em Campo Grande. Ou seja, o movimento é capaz de suportar as prisões e continuar seu curso. A razão disso é bem simples: trata-se de uma reação de desespero, de sobrevivência. Os bombeiros não têm para onde recuar.
 
O desgovernador Sérgio Cabral fez uma declaração pública que, mais do que afirmar o princípio de autoridade, serviu para acirrar os ânimos, pois, numa demonstração de despreparo para o cargo que ocupa, ficou muito claro o caráter passional, totalmente desequilibrado, de seu discurso. Ao insultar a laboriosa categoria dos bombeiros, a única corporação militar a gozar da simpatia do povo carioca, o  fanfarrão, digo governador, tentou apagar o incêndio com gasolina. A MONUMENTAL ESTUPIDEZ DO GOVERNADOR É A FAÍSCA QUE ACENDE A POSSIBILIDADE DE SE JUNTAR AO MOVIMENTO DOS BOMBEIROS O DESCONTENTAMENTO LATENTE NA POLÍCIA MILITAR. ISSO SIGNIFICA UMA BOLA DE NEVE INCENDIÁRIA (perdoem o paradoxo).

Famoso em todo o Brasil por ser o responsável pelo segundo pior sistema de educação pública do país, por uma amizade incompreensível com Eike Batista, o lamentável político agora pode reivindicar o record de maior carceireiro de funcionários pertencentes ao Estado: mais de 400.

Parabéns, desgovernador! A sua notável omissão só é superada por suas medidas demagógicas, midiáticas e ridículas!

AGORA VAMOS PARAR PARA PENSAR UM POUCO: SE O GOVERNO AGE DESSA FORMA EM RELAÇÃO AOS PRÓPRIOS SERVIDORES, COMO DEVE AGIR CONTRA OUTRAS MANIFESTAÇÕES E CONTRA AS COMUNIDADES CARENTES. 

Para mais informações sobre a atuação desastrosa de Sérgio Cabral consultem o blog do Ricardo Gama, blogueiro que sofreu uma tentativa de assassinato ainda não esclarecida. O link é

Transcrevo, abaixo, nota da CSP-Conlutas, sobre a greve dos bombeiros:

"O governo e a justiça que alegam ilegalidade da greve,  não condenam às péssimas condições de salário e trabalho que estes verdadeiros heróis estão submetidos.  A superexploração a que são submetidos estes trabalhadores, coloca em risco aqueles que precisam do combate ao fogo, do serviço de busca ou salvamento.  Estes bombeiros militares recebem os menores salários do país.  São obrigados a ter um segundo emprego ou ocupação para compensar a baixa remuneração.

A corporação, criada por D. Pedro II em 1856 para combater incêndios, hoje militarizada faz todo tipo de salvamento. Como parte do desmonte do estado são responsáveis pelo combate a endemias e epidemias.  Por conta da política populista de Sérgio Cabral estes trabalhadores estão nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) enquanto os hospitais estaduais estão sendo fechados ou abandonados.  Esses profissionais substituíram os agentes de saúde do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e fazem ainda socorro florestal, prevenções em estádios, operações com produtos perigosos, buscas e salvamentos.  Desta forma as funções da corporação aumentaram  e não houve contrapartida proporcional nos salários.

Sérgio Cabral, para aumentar o superávit primário, se recusa a conceder qualquer aumento salarial ou a negociar com os grevistas, no momento em que o Estado comemora mais um recorde de arrecadação.  Esta atitude deixa claro que este governo privilegia os bancos e as multinacionais.  O governador arrocha o salário dos servidores militares e civis para enriquecer os banqueiros e empresários com o pagamento de juros das dívidas do Estado.  Também demonstra que não tem nenhuma vontade política de resolver os reais problemas da população.  São verdadeiros crimes que a justiça civil ou militar simplesmente ignora.

Nesse sentido cabe a todo o movimento sindical, popular e estudantil a total solidariedade e apoio à luta dos bombeiros do Rio de Janeiro, verdadeiros heróis que lutam neste momento contra os interesses dos patrões e do governo do Estado.

A brutal repressão que se abateu sobre o movimento grevista não tem justificativa.  Assim como não se justifica a militarização dos serviços públicos de defesa civil como ocorre no estado do Rio de Janeiro.  Para garantir um serviço público de qualidade e que beneficie os interesses dos trabalhadores e do povo torna-se necessário à desmilitarização do Corpo de Bombeiros.  De sua origem em 1856 até 1880, este era um serviço público civil.  Em pleno século XXI, estes trabalhadores não têm direitos a livre manifestação ou a greve.  Direitos como estes e ainda o de organização sindical são fundamentais na defesa de um serviço público que atenda as necessidades e aos interesses da população carioca e fluminense.

A CSP-Conlutas convoca a todas as entidades e movimentos sociais a aprovar e enviar moções de solidariedade à luta destes trabalhadores, um veemente repúdio as prisões, remoções, perseguições, truculência e arbitrariedade do Governo Sérgio Cabral.  Devemos exigir de Cabral o atendimento a todas as reivindicações que fazem os bombeiros do Rio de Janeiro e a suspensão de todas as retaliações contra o legítimo movimento de greve destes trabalhadores.

Pelo fim do Inquérito Militar, as prisões, as remoções arbitrárias e todas as retaliações contra a greve dos bombeiros!
Pelo direito a manifestação democrática e a greve!
Pelo atendimento de todas as reivindicações!
Pelo fim da militarização do Corpo de Bombeiros e da PM!
Por um piso salarial de R$ 2.000,00 para o Corpo de Bombeiros!"

Um comentário:

Carlos disse...

Por que o ato dos bombeiros cria um precedente perigoso

Os bombeiros assim como qualquer categoria têm o direito de pedir melhoria salarial, ocorre que por servirem junto com a PM, sob regime militar, lhes é vetado o direto à greve. Nos últimos dias o que tenho visto no Rio é um circo. Uma categoria que vem sendo “doutrinada” por políticos faz meses, chega ao ponto de rasgar sua lei militar, invadir um quartel, ocupar e inutilizar viaturas.
Ora, isso é inadmissível em um estado de direito. Imaginemos se médicos decidem fazer greve, invadir hospitais, furar pneu das ambulâncias e trancar as portas; E se um dia policiais em greve ocuparem os presídios e ameaçarem soltar os presos? Não obstante, teríamos ainda a possibilidade de Soldados do exército em greve, colocarem tanques para obstruir vias. Pergunto: Onde a sociedade vai parar? É esse o precedente que a sociedade deseja abrir com os bombeiros?
Para que não corramos esse risco há uma legislação militar que rege as FFA, Bombeiros e a PM. Independente de qualquer pleito salarial, ela tem de ser respeitada. No momento em que a sociedade permitir que essa lei seja ignorada, estará pondo em risco sua própria ordem.