Telefonia - os negócios do Brasil





Alô, alô, responda, responda com toda sinceridade... O quê? Tá fora de área. Por quê? Vamos cantar "tá dominado, tá tudo dominado". 


Não é difícil entender a razão pela qual o Brasil tem a segunda tarifa mais cara do mundo em celular e a terceira de telefone fixo, segundo pessquisa da consultoria europeia Bernstein Research. Basta ler o texto abaixo, extraído de um livro que estou terminando de ler.

“A abertura das comunicações no Brasil correspondeu ao maior negócio do mundo quanto à transferência de ativos de países emergentes para o centro do sistema capitalista. As pressões internacionais foram precoces e bem conduzidas. Durante a Rodada Uruguai, dizia-se que se tratava do setor com maior probabilidade de lucros nos países em desenvolvimento. Durante a reunião de Marrakech de 1994 e no foro de Davos em 1997, os representantes norte-americanos exigiam a abertura incondicional como parte das regras da liberdade comercial. O projeto de lei de privatização da Telebrás foi concebido por agências do exterior e embutiu as pressões externas. Com efeito, o Congresso Nacional contratou a União Internacional de Telecomunicações, uma firma de assessoria da ONU, sob controle norte-americano, que, por sua vez, subcontratou a McKinsey & Company. A Lei Geral de Telecomunicações de 1997 veio a público como queriam o governo dos Estados Unidos e os global players estrangeiros. Em consonância com esta filosofia política subserviente e destrutiva do patrimônio nacional, o Executivo autorizou no mesmo ano um aumento real de 350% nos serviços básicos da telefonia com o intuito de capitalizar as empresas privatizadas e desencadeou intensa campanha para impedir que a opinião pública percebesse o que se passava. Assim mesmo, a privatização da Telebrás foi reprovada por 51% em pesquisa de opinião. Consumada a alienação das comunicações, a Anatel, agência reguladora do setor, tornou-se refém das multinacionais.”

In: CERVO, Amado Luiz. História da política exterior do Brasil. 4ª ed. rev. ampl. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2012. p. 509.


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