Entidades do Pará denunciam tortura policial em operação para conter violência no campo - 24/11/2007

Local: Brasília - DF
Fonte: Radiobrás
Link: http://www.radiobras.gov.br


Morillo Carvalho

Quatro entidades que representam trabalhadores rurais no Pará apontam denúncias contra as forças policiais que atuaram na Operação Paz no Campo.

A ação foi deflagrada nesta segunda-feira (19), no sul do estado, para conter a violência na região. Trata-se de uma operação conjunta, que envolve a Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Civil, Centro Integrado de Operações, Centro estratégico Integrado, Ministério Público Estadual, Poder Judiciário e Exército.

As denúncias são encabeçadas pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), a Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Redenção.

Em nota, eles acusam um grupo de policiais (sem identificá-lo) de cometer tortura e "arbitrariedades" contra lavradores e militantes de movimentos ligados ao campo e à terra.

“Segundo diversos depoimentos colhidos por integrantes do Programa Estadual de Proteção de Defensores de Direitos Humanos e por representantes de entidades na sede do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Redenção, um grupo de policiais que atuou em uma das áreas do complexo [Complexo da Forquilha] torturou barbaramente vários lavradores para que estes revelassem a existência de armas em seu acampamento”, diz o texto.

As torturas, de acordo com a nota, teriam sido praticadas "mediante espancamentos, socos, pauladas, ripadas, chutes, afogamentos e sufocamentos com um saco plástico”.
As entidades referm-se à ação policial no município de Santa Maria das Barreiras, onde se situa o “Complexo da Forquilha”, região que, segundo elas, foi ocupada por vários grupos.

"Alguns desses, formados por trabalhadores sem-terra e por um outro grupo de grileiros, que já foi denunciado por ligação a uma milícia armada da região”.

O documento relata, ainda, que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria das Barreiras, Nivaldo Pereira Cunha, foi preso, embora estivesse escoltado por policiais militares por ter sofrido atentados à vida.


“Nivaldo já havia sofrido neste ano dois atentados e foi um dos autores das denúncias contra essas milícias armadas”, acrescenta a nota.

O documento termina com o pedido de libertação do sindicalista e de ações de combate à "pistolagem e milícias armadas" no estado.

As entidades salientam que apóiam as instituições policiais do estado quando atuam no combate à violência no campo. Mas afirmam que não aceitarão “excessos e arbitrariedades, criminalização de defensores humanos e a tentativa de igualar movimentos sociais legítimos às ações de grupos oportunistas e violentos que muitas vezes são patrocinados por fazendeiros e grileiros que agem impunes por todo o estado”.
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