Neste 9 de agosto de 2012 se completam
17 anos da heroica resistência camponesa na antiga fazenda Santa Elina,
município de Corumbiara. De lá pra cá a resistência e luta em torno da
posse dessas terras nunca cessou e agora caminha para encerar um ciclo
iniciado em 1995.
Depois de mais de 15 anos de enrolação
as famílias organizadas pelo Codevise e pela LCP retomaram a fazenda
Santa Elina em julho de 2010 e em pouco tempo realizaram o Corte Popular
das terras efetivando a posse para cerca de 300 famílias. Num período
de um ano construíram casas, escolas, estradas e desenvolveram a
produção, dando um novo impulso a economia local, tudo feito com as
próprias forças e sem nenhum apoio de governo algum.
Ouvidoria Agrária, Incra, Fetagro unidos para atacar a luta camponesa combativa
 Diante
dos grandes êxitos das famílias camponesas, em meados de 2011 o Ouvidor
Agrário Nacional Gercino José da Silva, juntamente com o então
superintendente do Incra de Rondônia Carlino Lima (PT) pressionaram as
famílias a saírem das terras para que fosse realizado um novo corte.
Para isso fizeram todo tipo de ameaça e uso de grande aparato militar,
visando principalmente intimidar as famílias que insistissem em
permanecer nas terras e perseguir suas lideranças.
Agindo em conluio com o Incra, a Fetagro
atuou dentro e fora da área no sentido de criar intrigas e divisões
entre as famílias de acampados e realizando deduragem de lideranças.
Resultando inclusive na injusta prisão de um dos membros da LCP na área
em fevereiro.
Em dezembro de 2011 as famílias foram
forçadas a sair da área e ficaram acampadas numa área vizinha. O Incra
modificou todo o corte para pior, inventaram duas novas áreas de reserva
além da que já existia (totalizando uma área muito maior do que o
exigido por lei) com isso diminuiu a quantidade e o tamanho dos lotes.
Na verdade tudo feito de caso pensado para prejudicar ainda mais as
famílias da área Zé Bentão. Em março desse ano, depois de meses
acampadas vivendo em condições insalubres, o Incra permitiu o retorno de
parte das famílias.
Devido a insatisfação geral o Incra
prometeu modificar o corte e manter as linhas abertas pelo Corte
Popular. Porém, mais uma vez Carlino Lima (PT) e sua corja descumpriram
suas promessas e o resultado foi que as famílias amargaram ainda mais
prejuízos, sendo obrigadas a abandonar as antigas posses onde possuíam
produção e benfeitorias construídas com grande esforço ao logo de quase 2
anos. As famílias foram obrigadas a irem para as novas marcações do
Incra para recomeçar tudo de novo. Os lotes cortados pelo Incra além de
serem menores, em muitos casos saíram sem água ou sequer tem estrada de
acesso. Sem falar que com a intervenção do Incra surgiram inúmeros casos
de conflitos entre famílias decorrentes da sobreposição de marcações e
benfeitorias.
Em relação às promessas de cestas
básicas, crédito, estradas, auxilio técnico, energia, etc, uma vez mais
vai se comprovando o que há muito diversas lideranças já alertavam.
Desde que as famílias saíram de dentro da área e foram obrigadas a
abandonar suas roças, só receberam cesta incompleta apenas 3 vezes em 9
meses. Sobre os créditos até o momento nenhuma família teve acesso. Nem
mesmo o crédito fomento, que segundo informações colhidas, o recurso já
estaria no banco rendendo juros sabe-se lá em beneficio de quem. Sobre
estradas e energia, segundo o funcionário do Incra em Colorado D’Oeste
não vai vir recurso este ano. Sobre o auxilio técnico Carlino Lima (PT) e
a Fetagro fizeram questão de excluir a área Zé Bentão e hoje apenas
outras áreas estão sendo atendidas pela Emater.
Podemos afirmar sem nenhum exagero que
durante todos os anos que o PT esteve a frente do Incra em Rondônia
quase nada foi feito em beneficio dos camponeses, ao contrário, sempre
buscaram prejudicar e atrapalhar a vidas daquelas famílias que trilhavam
o caminho da luta e não ficavam com bajulação. O que essa gente do PT
fez dentro do Incra foi criar esquemas e atuar sempre em benefício
próprio. Não é a toa que Carlino Lima (PT) foi substituído após toda a
lambança feita em Santa Elina, que nada mais foi que a gota d’agua que
faltava.
Apesar de todo os ataques, perseguições e
prejuízos, hoje é fato consumado que a maior parte da fazenda Santa
Elina efetivamente foi cortada em pequenas parcelas e distribuída a
cerca de 439 famílias, sendo que 194 famílias da área Zé Bentão e as
outras da Maranata e área Renato.
E isso não se deve a nenhuma bondade do
governo, ou a atuação de fulano, ciclano, ou outro politiqueiro
qualquer. O fato é que o corte da Santa Elina é resultado de intensa
luta e mobilização de diversas famílias de camponeses e seus apoiadores,
que ao longo dos anos, mesmo com todas dificuldades persistiram no
objetivo de destruir o latifúndio e conquistar essa terra banhada com
sangue de heroicos camponeses. Isso é um fato e qualquer um que seja
minimamente honesto não pode negar.
Devido a intervenção da Ouvidoria
agrária e do Incra, tendo a frente Carlino Lima (PT), diversas famílias
inclusive muitas que passaram no chamado “perfil da reforma agrária”
saíram de suas posses e não receberam lotes. Com isso a luta para que
essas famílias tenham seus lotes garantidos prossegue.
Conquista da área Renato Nathan Gonçalves Pereira
 Recentemente,
30 dessas famílias que tinham ficado de fora, vão garantir seu direito a
um lote. Um pedaço de terra que ficava dentro da área, mas que ficou de
fora do projeto do Incra, chamado 99-A, após muita luta e negociação
finalmente vai ser reconhecido. Com isso as famílias estão retomando
novo ânimo e esperanças. Em assembleia o nome dessa área foi batizado de
Renato Nathan Gonçalves Pereira em homenagem ao professor assassinado
cruelmente pela polícia.
Apesar do reconhecimento do Incra, as
famílias já não querem mais esperar e por isso estão se organizando.
Todo o corte dessa área e a marcação dos lotes foi feito pelos próprios
camponeses.
Outro exemplo da disposição dessas
famílias foi a mudança do lugar da estrada que dá acesso a toda a área.
Essa estrada que todos dependem dela, há muitos anos passava dentro de
um lote de sitiante vizinho e só agora foi trocada de lugar, passando em
lugar mais adequado, na divisa entre dois lotes.
Para esse serviço se conseguiu as
máquinas da prefeitura e todo o trabalho de mudança de cerca e outros,
está sendo feito pelos próprios camponeses.
Lutar pela terra não é crime!
 No
dia 23 de fevereiro a polícia militar prendeu de forma ilegal e
arbitrária um dos membros da LCP na área. O companheiro Tiago, como era
conhecido, trabalhava e vivia dentro da área Zé Bentão e tinha um lote
cheio de produção. Por defender com firmeza a manutenção do corte
popular e a permanência das famílias nas terras foi perseguido e
terminou sendo injustamente preso acusado de porte ilegal de arma. Essas
armas que acusam ser de Tiago são duas espingardas velhas que foram
encontradas próximo ao local onde estavam trabalhando numa colheita de
arroz. Tais armas além de não pertencerem a Tiago foram periciadas pela
polícia e foi constatado que sequer funcionam.
Apesar de tudo isso o companheiro
continua preso, e todos os pedido feitos pelo advogado para que pudesse
responder em liberdade foram negados.
Depois que parte das famílias retornaram
para as terras, a perseguição policial dentro da antiga fazenda Santa
Elina não terminou. A polícia continua fazendo incursões, prendendo
ferramentas de trabalho, e perseguindo os camponeses.
Nesse mesmo período em Chupinguaia,
famílias acampadas na fazenda Barro Branco e também de outras áreas
próximas foram despejadas. Nestes episódios, funcionários do Incra de
Pimenta Bueno e a ouvidora agrária regional Márcia do Nascimento Pereira
ajudaram a destruir os barracos sob o olhar assombrado dos camponeses.
Ou seja, quem no passado tinha um discurso de assentar famílias, hoje
realiza despejos descaradamente.
Após os despejos, no dia 5 de março a
policia efetuou várias prisões de lideranças e de pessoas que
simplesmente apoiavam e defendiam as tomadas de terra na região de
Chupinguaia. São elas Udo Wahlbrink, presidente do STR de Vilhena e
Chupinguaia, Roberto Ferreira Pinto, vereador de Chupinguaia, Diorando
Dias Montalvão, líder da Associação de Agricultores Água Viva, Pedro
Arrigo, presidente da Associação Nossa Senhora Aparecida, e sua esposa
Eva Ortiz entre outros. Em julho Pedro Arrigo teve o pedido de habeas
corpus negado por unanimidade pelos desembargadores da 2ª Câmara
Criminal do Tribunal de Justiça de Rondônia.
Assim funciona a “justiça” em Rondônia,
age com extrema rapidez e convicção quando o assunto é ordenar
reintegrações de posse que favorece algum grande fazendeiro ou quando o
assunto é manter preso alguém que apoia e defende a luta pela terra.
A luta pela terra não vai parar!
E essa situação de perseguição e
criminalização ao movimento camponês não é exclusiva do cone sul de
Rondônia, é sim uma situação geral e que atinge todo o campo brasileiro
ainda que em alguns lugares com mais intensidade que outros.
Com a gerência de Dilma Roussef (PT), a
situação só tem piorado e o que pretendem é enterrar de vez a questão
agrária. Porém por mais que se utilizem cada vez mais da repressão, seja
através de bandos armados do latifúndio, seja dos aparatos
policial-militar, e que tenham ao seu lado todo o aparato dos monopólios
da comunicação e a atuação de oportunistas e bajuladores de todas as
laias, não conseguirão frear a luta camponesa combativa. Ao contrário
disso, quanto mais vai se aprofundando a crise econômica, mais e mais
famílias camponesas vão se jogar com mais ânimo e disposição na luta
pela terra, impulsionando a Revolução Agrária.
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