Proibido em 52 países, o amianto mata. Um milhão de brasileiros correm risco


Esta foto faz parte da paisagem urbana brasileira
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O Brasil está entre os cinco maiores produtores, consumidores e exportadores mundiais de amianto crisotila ou amianto branco. A única mina de amianto ainda em atividade no Brasil situa-se no município de Minaçu, no Estado de Goiás.

O amianto, por anos chamado de “mineral mágico”, foi utilizado principalmente na indústria da construção civil (pisos vinílicos, telhas, caixas d’água, divisórias, forros falsos, tubulações, vasos de decoração e para plantio e outros artefatos de cimento-amianto) e para isolamento acústico ou térmico.

Todo este material precisa ser substituído, para evitar
Exposição ocupacional:
  • a exposição ocupacional é a principal forma de exposição e contaminação;
  • ocorre, principalmente, através da inalação das fibras de amianto, que podem causar lesões nos pulmões e em outros órgãos;
  • a via digestiva também deve ser considerada como fonte de contaminação.
Exposição ambiental:
  • contato dos familares com roupas e objetos dos trabalhadores contaminados pela fibra;
  • residir nas proximidades de fábricas, minerações ou em áreas contaminadas (solo e ar) por amianto;
  • frequentar ambientes onde haja produtos de amianto degradados;
  • presença do amianto livre na natureza ou em pontos de depósito ou descarte de produtos com amianto
    Doenças relacionadas a exposição ao amianto
    A exposição ao amianto está relacionada à ocorrência de diversas patologias, malignas e não malignas. Ele é classificado pela Agência Internacional de Pesquisa (IARC) no grupo 1 – os dos reconhecidamente cancerígenos para os seres humanos. Não foram identificados níveis seguros para a exposição às suas fibras. O intenso uso, no Brasil, especialmente a partir da segunda metade do século XX, exige que a recuperação do histórico de contato deva prever todas as situações de trabalho, tanto as diretamente em contato com o minério, em atividades industriais típicas, em geral com exposição de longa duração, ou mesmo as indiretas, através de serviços de apoio, manutenção, limpeza, que são em geral de baixa duração, mas sujeitas a altas concentrações de poeira, bem como exposições não ocupacionais – indiretas ou ambientais e as paraocupacionais.
    Entre as principais doenças relacionadas ao amianto, temos:

    Asbestose

     
    A doença é causada pela deposição de fibras de asbesto nos alvéolos pulmonares, provocando uma reação inflamatória, seguida de fibrose e, por conseguinte, sua rigidez, reduzindo a capacidade de realizar a troca gasosa, promovendo a perda da elasticidade pulmonar e da capacidade respiratória com sérias limitações ao fluxo aéreo e incapacidade para o trabalho. Nas fases mais avançadas da doença esta incapacidade pode se estender até para a realização de tarefas mais simples e vitais para a sobrevivência humana.


    Câncer de pulmão

    O câncer de pulmão pode estar associado com outras manifestações mórbidas como asbestose, placas pleurais ou não. O seu risco pode aumentar em 90 vezes caso o trabalhador exposto ao amianto também seja fumante, pois o fumo potencializa o efeito sinérgico entre os dois agentes reconhecidos como promotores de câncer de pulmão. Estima-se que 50% dos indivíduos que tenham asbestose venham a desenvolver câncer de pulmão. O adenocarcinoma é o tipo histológico mais frequente entre os cânceres de pulmão desenvolvidos por trabalhadores e ex-empregados expostos ao amianto e o risco aumenta proporcionalmente à concentração de fibras que se depositam nos alvéolos pulmonares.

    Câncer de laringe, do trato digestivo e de ovário

     
    Também estão relacionados à exposição ao amianto.


    Mesotelioma

    O mesotelioma é uma forma rara de tumor maligno, mais comumentemente atingindo a pleura, membrana serosa que reveste o pulmão, mas também incidindo sobre o peritônio, pericárdio e a túnica vaginal e bolsa escrotal. Está se tornando mais comum em nosso país, já que atingimos o período de latência de mais de 30 anos da curva de crescimento da utilização em escala industrial no Brasil, que deu-se durante o período conhecido como o “milagre econômico”, na década de 70. Não se estabeleceu nenhuma relação do mesotelioma com o tabagismo, nem com doses de exposição. O Mesotelioma maligno pode produzir metátases por via linfática em aproximadamente 25% dos casos.

    Além das doenças descritas, o amianto pode causar espessamento na pleura e diafragma, derrames pleurais, placas pleurais e severos distúrbios respiratórios.

Telha de amianto
Telha de amianto


O uso do amianto foi proibido em 52 países.

Estima-se que chegam a 1 milhão os trabalhadores brasileiros expostos ao amianto, desde a extração em minas até a indústria de transformação. Diferente do que se pensa, a fibra não é usada apenas na fabricação de telhas e caixas d’água. Segundo cálculos da Associação Brasileira de Expostos ao Amianto, mais de 3 mil produtos levam o mineral em sua composição, como tubulações, argamassa, peças para fogões, geladeiras e secadores de cabelo, cabos e fitas isolantes, gaxetas, revestimentos, tecidos especiais, lonas e pastilhas de freio, entre tantos outros. Pelas contas do Sindicato Nacional da Indústria de Autopeças, há trezentos mil trabalhadores envolvidos em manutenção e reparos de sistemas de freio no país.

Há ainda uma parcela ainda maior, desconhecida, de trabalhadores informais, envolvidos principalmente na indústria da construção civil, em instalação de coberturas, caixas d’água, reformas, demolições e instalações hidráulicas, entre outras, completamente expostos ao pó do amianto e desprotegidos das incipientes políticas públicas de saúde do trabalhador.

 FONTE: http://andradetalis.wordpress.com/

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