CASO RUÇO



















Júri popular absolve mas
Ruço permanece preso

Jaru - RO - Ainda que sob um verdadeiro estado de sítio, Jaru, município de Rondônia, foi palco de um julgamento onde o povo venceu. A direção fascista da imprensa, o Estado e seus patrões latifundiários perderam vergonhosamente. Wenderson Francisco dos Santos, o popular "Ruço" e Joel Gomes da Silva, o "Joel Garimpeiro" foram absolvidos no julgamento - que durou quase 18 horas - encerrado na madrugada de 3 de abril.

Os réus foram absolvidos, por 4 votos a 3, no caso de Ruço e por 6 votos a 1, no caso de Joel. Os jurados entenderam que a acusação do Ministério Público contra ambos não apresentou provas documentais e testemunhais para condená-los pela morte de Divino Urias Borges. Disse a defesa de Ruço e Joel, que o morto era um pistoleiro contratado pela fazenda Galo Velho. Junto ao cadáver, a polícia encontrou à época R$ 4 mil reais em dinheiro.

O promotor Ademir José de Sá, representante do Ministério Público, argumentou que Ruço e Joel eram líderes dos camponeses organizados pela Liga dos Camponeses Pobres e, por conseguinte, isso os incriminaria. O juiz Leonardo Leite Matos indeferiu as perguntas pautadas nessa direção, uma vez que Ruço e Joel é que estavam sendo julgados, e não a Liga dos Camponeses Pobres. Mesmo com a negativa do juiz, a acusação do promotor Ademir José se pautou pela mesma petulância com argumentações que buscavam incriminar a Liga.

Uma das testemunhas de acusação disse que seu depoimento anterior foi tomado sob tortura da PM. Também o major Ênedy Dias de Araújo apresentou contradições em sua acusação ao afirmar que havia um certo policial, por nome Calixto, que trabalhava como "segurança" da fazenda Galo Velho. Mesmo sabendo que certos "trabalhos" são ilegais, o major confirmou ciência do "bico" feito por seus subordinados.

A defesa de Ruço e Joel se pautou nos autos do processo, apresentando aos jurados a ausência de provas documentais, além de que as testemunhas de acusação presente ao julgamento apresentaram contradições em seus depoimentos.

Após o resultado da votação do Júri, os advogados de defesa, membros do Núcleo de Advogados do Povo, participaram de uma passeata organizada pelas entidades de apoio a Ruço e Joel. Com palavras de ordem, música e fogos, os camponeses e entidades comemoraram o resultado.

Mas Ruço não foi solto. Permanece preso por duas outras acusações (tentativa de homicídio e falsificação de documento), uma trapalhada armada contra o camponês, pelo qual já foi julgado, condenado e cumpriu boa parte da pena aplicada. Uma juíza, nada mais, não autorizou a progressão do regime solicitada pelo Ministério Público, informa a Liga dos Camponeses Pobres. Enquanto isso, os dias passam e Wenderson Francisco dos Santos, que compareceu à Justiça e enfrentou todos os julgamentos, sofreu torturas e vive sob ameaça de morte, permanece encarcerado em Ariquemes.
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