RESPONSABILIZAMOS O GOVERNO BRASILEIRO POR ASSASSINATOS DE PROFESSOR E CAMPONESES

Renato Nathan Gonçalves Pereira
 
 
 
A IAPL (Associação Internacional dos Advogados do Povo) está propondo uma nota exigindo a responsabilidade do governo brasileiro sobre o assassinato do Prof. Renato e de camponeses em Rondônia, Minas Gerais e Pernambuco. Será uma nota conjunta assinada por organizações brasileiras e internacionais. A omissão do governo brasileiro diante de denúncias já encaminhadas é gritante e absurda. Pedimos a assinatura de sua organização, bem como que nos ajude a levantar outras assinaturas (brasileiras e/ou internacionais). Para assinar, basta responder a este e-mail.


RESPONSABILIZAMOS O GOVERNO BRASILEIRO POR ASSASSINATOS DE PROFESSOR E CAMPONESES
 
As organizações listadas abaixo expressam suas profundas preocupações  sobre o recente assassinato do professor Renato Nathan Gonçalves Pereira, no Estado brasileiro de Rondônia, bem como séries de assassinatos de camponeses organizados por todo o país.
 
Renato era um apoiador das comunidades camponesas em Rondônia, trabalhando pela alfabetização e estruturação de escolas no campo. Trabalhou na Escola Família Camponesa em Corumbiara, região onde se passou um dos mais graves massacres de camponeses na história do Brasil, a fazenda Santa Elina, diretamente promovido pelo Estado, em 1996. Ele ajudou a dar assistência às vítimas. Depois, trabalhou na criação de de outras Escolas Populares por toda Rondônia. Ele sempre apoiou a organização do povo, como na construção de pontes e estradas e exigindo serviços de saúde e eletricidade.

De acordo com relatos, ele retornava para casa no dia 9 de abril, quando foi parado em um bloqueio e covardemente assassinado por agentes de polícia disfarçados. Ele foi executado com três tiros à queima roupa, dois na nuca e um no rosto. Sua moto foi encontrada com o capacete ainda no guidom, portanto, uma clara demonstração de que teria sido rendido e depois executado. Segundo moradores, o motivo seria uma provável vingança contra a morte de um agente penitenciário e um policial civil dias antes. Segundo informações, os policiais estariam envolvidos em vários crimes e assassinatos de trabalhadores e camponeses na região de Buritis a mando de latifundiários e grileiros de terra.
 
Esse fato se dá depois de uma série de assassinatos de camponeses organizados por todo o país além de Rondônia, sob o gritante silêncio e cumplicidade do governo brasileiro: em Minas Gerais, Valdir Dias Ferreira, Milton Santos Nunes e Clestina Leonor Nunes; no Pernambuco, Antonio Tiningo e Pedro Bruno. Enquanto isso vários camponeses continuam arbitrariamente presos por lutarem pela terra.
 
Recebemos relatos de que o governo Dilma tem apoiado latifundiários através de acordos com sua bancada no Congresso Nacional para a aprovação de um Código Florestal que agride as bases mínimas da proteção ambiental e tem feito pouco ou nada pela Reforma Agrária, além de silenciar ou ser cúmplice de assassinatos, prisões e desocupações forçadas de camponeses e seus apoiadores. Os grandes empreendimentos do governo como as usinas hidrelétricas de Jirau, em Rondônia, e Belo Monte, no Pará, têm sido impostos com a desocupação de comunidades locais e a brutal repressão a trabalhadores em greve.

Por tudo isso, temos evidências para responsabilizar o governo brasileiro pelos assassinatos do professor Renato Nathan Gonçalves Pereira e camponeses Valdir Dias Ferreira, Milton Santos Nunes, Clestina Leonor Nunes, Antonio Tiningo e Pedro Bruno.
 
Pedimos à comunidade internacional a exigência de que o governo brasileiro pare imediatamente com as matanças de camponeses e seus apoiadores, as prisões arbitrárias e as desocupações forçadas. Exigimos também a punição das pessoas diretamente envolvidas nesses crimes.
 

INTERNATIONAL ORGANIZATIONS DEMAND ACCOUNTABILITY OF BRAZILIAN GOVERNMENT FOR KILLINGS OF TEACHER AND PEASANTS

The organizations listed below express their deep concerns about the recent killing of teacher Renato Nathan Gonçalves Pereira, in Brazilian state of Rondonia, and series of killings of organized peasants all over the country.

Renato was a supporter of peasants communities in Rondonia, working for alphabetization and structuration of schools in countryside. He worked in Peasant Family School in Corumbiara, region where passed one of the most serious massacres of peasants in Brazilian history, the Santa Elina farm, directly promoted by the State, in 1996. He helped to give assistance to victims. Later he worked on the projection of other People’s School al over Rondonia. He always supported people organization, like building of roads and bridges and demanding health care and electricity.

According to reports, he was returning home on April 9, when stopped at a blockade and cowardly murdered by police officers in plain clothes. He was executed with three shots at close range, two in the neck and one on the face. His motorbike was found with his helmet still on the handlebars, therefore, a clear demonstration that would have been rendered and then executed. According to residents, the reason would be a likely revenge for the death of a prison guard and a civilian police days earlier. Reportedly, the police were involved in various crimes and murders of workers and peasants in the region of Buritis under the orders of landowners and land grabbers.

This fact comes after a series of killings of organized peasants all over the country aside Rondonia, under the blatant silence and complicity of Brazilian government: Valdir Dias Ferreira, Milton Santos Nunes and Clestina Leonor Nunes, in Minas Gerais state; Antonio Tiningo and Pedro Bruno, in Pernambuco state. While that several peasants remain arbitrarily arrested due to struggles for the land.

We received reports that Dilma’ government has supported big landlords through agreements with their caucus in National Congress for approving a Forest Code that aggress the minimum bases of environmental protection and has done few or nothing on Agrarian Reform, beyond being silent or accomplice on killings, arrests and enforced displacement of peasants and their supporters. The government big enterprises like the hydroelectric plants in Jirau, Rondonia, and Belo Monte, Pará, has been imposed with displacement of local communities and brutal repression of striking workers.

For all of this we have evidences to find Brazilian government accountable for the killings of teacher Renato Nathan Gonçalves Pereira and peasants Valdir Dias Ferreira, Milton Santos Nunes, Clestina Leonor Nunes, Antonio Tiningo and Pedro Bruno.

We ask international community to demand Brazilian government to cease the killings of peasants and their supporters, the arbitrary arrests and enforced displacements. We also demand the punishment of directly involved in these crimes.


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