Camponês é assassinado na Bahia por grupo paramilitar

Escrito por Resistência Camponesa

Seg, 05 de Abril de 2010

Dois trabalhadores rurais, pai e filho radicados há 23 anos numa pequena propriedade rural na Praia dos Coqueiros na região da comunidade de Costa Dourada no litoral sul do município de Mucuri, foram interceptados sobre uma motocicleta perto de casa no final da manhã desta quarta-feira (17/03), por 4 homens a serviço da Fibria Celulose (antiga Aracruz Celulose), e um deles foi morto com um tiro à queima roupa na cabeça.

 O jovem Henrique de Souza Pereira, o “Hique”, 24 anos, levou um tiro à queima roupa em cima do olho esquerdo que transfixou na nuca. O pai dele, Osvaldo Pereira Bezerra, “Osvaldinho”, 53 anos, teve o braço esquerdo quebrado em dois lugares em razão dos ataques sofridos pelos homens que fazem vigilância para a empresa de Celulose, que depois da união da Aracruz com a Votoratim em 16 de novembro de 2009, a empresa passou a se chamar Fibria Celulose S/A.

Os homens que promoveram o ataque contra pai e filho resultando na morte de um deles, são integrantes da empresa Garra Escolta Vigilância e Segurança Ltda. Segundo uma terceira pessoa que acompanhava as vítimas, porém a pé, os homens fizeram abordagem repentinamente e já chegaram agredindo sob acusação que o senhor e o jovem, eram os responsáveis pelos furtos constantes de madeiras da empresa na região.

Tanto a Fibria Celulose quanto a Suzano Papel e Celulose, proíbem que os trabalhadores de carvoarias e outros operários aproveitem dos restos dos eucaliptos que são deixados em meio as derrubadas, inclusive com vários episódios já registrados nesta região de perseguições e tiroteios promovidos pelos seguranças das empresas. Mesmo diante de tantas tentativas de formar associações para que as empresas possam fazer a doações dos chamados gravetos para os usuários que aproveitariam do material para carvão, o esforço não tem dado certo, pelo contrário, tem resultado em ataques, e desta vez com morte. Sendo que as empresas de celulose na região são acusadas permanentemente de cometer crimes ambientais e promover desagregação social tirando o homem do campo e empurrando-os para os centros urbanos sem dar a mínima parcela de contribuição social a estas comunidades que elas ajudam a empobrecer a cada dia.

 Segundo a vítima Osvaldo Pereira Bezerra, “Osvaldinho”, 53 anos, que teve o braço quebrado pelos matadores, ele teria apelado para os homens não fazer nada mais com eles, mas teria entrado em desespero quando viu um dos homens atirando certeiramente na cabeça do seu filho e após receber as pancadas de bastão que lhe fizeram cair, teria pedido aos homens que matassem ele também. O terceiro jovem que lhe acompanhava conseguiu correr dos ataques, mas ele ficou no local tentando reanimar o filho morto. Logo que cometeram o crime, os quatro fugiram em um Fiat/Uno e voltaram ao local cerca de 40 minutos depois na companhia de outros 2 vigilantes armados, desta feita com uma ambulância e levaram o corpo do jovem, simulando que teriam prestado socorro à vítima, mesmo sabendo que o rapaz teve morte instantânea após ter levado um tiro no meio da cabeça com transfixação de projétil.

O jovem Henrique de Souza Pereira, o “Hique”, 24 anos, morto com um tiro na cabeça por seguranças da Garra, deixou esposa e um filho de 4 meses de idade. O episódio provocou fúria e revolta em dezenas de pessoas vizinhas ao local onde o rapaz morava, inclusive com perseguição a um carro da Garra.

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