MAIS UM LÍDER CAMPONÊS É ASSASSINADO PELOS LATIFUNDIÁRIOS DO PARÁ

Foi encontrado morto na manhã do dia 15 de junho o companheiro Luis Lopes de Barros, dirigente na Liga dos Camponeses Pobres do Pará e Tocantins em situação misteriosa.

O companheiro era muito conhecido na região por sua dedicação a luta dos camponeses, luta à qual se dedicava há mais de vinte anos, tendo liderado dezenas de ações vitoriosas dos camponeses por toda a região. Foi dirigente sindical, presidente de associação de bairro e estava na direção da LCP desde sua fundação, em abril de 2005, sendo seu principal dirigente, à frente da coordenação da Liga dos Camponeses Pobres, dirigiu a vitoriosa luta pela tomada dos latifúndios Batente, Capivara, Talismã, Jacutinga estas ultimas três áreas são conhecidas como área Gabriel Pimenta.

Desde a famigerada operação “paz no campo” desencadeada em novembro de 2007 pela governadora Ana Júlia (PT) com a finalidade de expulsar 1.100 famílias que tomaram e cortaram o latifúndio Forkilha, operação que cometeu inúmeras atrocidades contra camponeses da região, o clima de terror e impunidade tem imperado no sul do Pará. A LCP, Liga dos Camponeses Pobres Pará e Tocantins vem denunciando a tempos estes fatos, mas nada foi feito até agora.

O cerco ao movimento camponês combativo é mantido e a qualquer sinal de mobilização das massas camponesas a perseguição se intensifica. É o que vinha acontecendo nas cidades de Redenção e Conceição do Araguaia, desde que iniciou a mobilização para uma nova tomada, companheiras e companheiros tem recebido ameaças por telefone, carros são vistos rondando casas dos dirigentes da LCP, em uma reunião um homem desconhecido tirou foto de duas companheiras que dirigiam a reunião e saiu do local rapidamente.

Na área Gabriel Pimenta em Conceição do Araguaia a casa da mãe de um companheiro da LCP foi alvo de disparos realizados por elementos desconhecidos, que chegaram e chamaram pelo nome deste companheiro, mas não encontraram ninguém no local e efetuaram vários disparos.

No dia 31/05 uma guarnição da Policia Militar esteve na sede da LCP também na cidade de Conceição alegando que estavam verificando a documentação de motos estacionadas na rua em frente a sede e depois entraram no escritório e mandaram que todos saíssem e revistou todos os presentes, indo embora em seguida sem apresentar qualquer justificativa .

Estes absurdos continuam ocorrendo nas barbas das autoridades que fingem não saber dos fatos, ignoram os doze assassinatos de camponeses pobres que lutavam pelo justo direito a terra desde a operação terror no campo. Defendem os latifundiários bandidos e assassinos e condena o povo à miséria, fica claro que se desencadeou uma guerra sem quartel ao movimento camponês. Em quanto os monopólios dos meios de comunicação se encarregam de moldar a “opinião pública” favorável ao massacre de trabalhadores taxando-os de criminosos, o velho Estado prepara mais ações criminosas contra os camponeses que lutam por um pedaço de terra, como o bárbaro assassinato do companheiro Luiz Lopes.

A morte do companheiro Luiz Lopes foi por causa de sua luta em defesa dos camponeses, em defesa de um país sem latifúndio, por ele sempre ter se colocado à frente do combate às injustiças e barbaridades cometidas contra o povo. Sua morte não foi em vão, seu exemplo de dedicação será lembrado para sempre e a semente lançada por ele vingará e dará bons frutos.

Chamamos a atenção de toda a sociedade Paraense, dos verdadeiros democratas do povo trabalhador para este brutal assassinato e a violência que estão submetidas as massas camponesas no sul do Pará.

Companheiro Luis Lopes, PRESENTE!

Abaixo a criminalização da luta pela terra!

O povo quer terra e trabalho, não repressão!

Viva a Revolução Agrária!

LCP - Liga dos Camponeses Pobres do Pará e Tocantins





Entrevista exclusiva sobre o assassinato de Luiz Lopes pelo latifúndio

06 de julho de 2009

“Luiz foi uma liderança da LCP, no Pará, na região Sul e participou de muita luta contra o latifúndio”

Causa Operária entrevista o companheiro “Zé” Carlos da Coordenação Nacional da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) sobre o assassinato do líder sem-terra do Pará Luiz Lopes no último dia 15 de junho. Lopes foi um líder dos camponeses em luta pela terra no Pará e esteve à frente da tomada da Fazenda Forkilha, em 2007, organizada pela LCP. Ocupação que foi duramente reprimida por ordem direta da governadora Ana Júlia Carepa (PT), em 19 de novembro daquele ano, na chamada operação “Paz no campo”.

6 de julho de 2009

Causa Operária - Você poderia se apresentar?

Meu nome é José Carlos, eu faço parte da Comissão Nacional Coordenadora da Liga dos Camponeses Pobres. É uma comissão formada por companheiros que se reúnem constantemente para poder apoiar o trabalho das ligas de camponeses.

Causa Operária - Como era a atuação do companheiro Luiz Lopes, liderança da LCP do Pará, que foi brutalmente assassinado no último dia 15 de junho pelo latifúndio?

Zé Carlos - O Luiz, Luiz Lopes Barros, um companheiro do Pará, e se eu não me engano tinha 57 anos. Nós o conhecemos há aproximadamente três anos. Luiz tinha sido uma liderança da LCP, no Pará, na região sul, participou de um processo de muita luta contra o latifúndio, da criação do PT, no Sul do Pará, lá em Conceição do Araguaia, fez parte o primeiro diretório.
Fez parte da direção do Sindicato dos trabalhadores rurais, contra o latifúndio, o Luiz participou desse movimento, fez parte da primeira diretoria combativa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Conceição do Araguaia e na mesma época em que um deputado do PCdoB, Paulo Fonteles ali na região, foi assassinado.
O assassinato de Gabriel Pimenta, um advogado também Marabá.
Nessa época o Luiz atuava nesta região do Pará.
Então primeiro no PT, depois no sindicato, chegou a participar da fundação do PT em Conceição do Araguaia, logo depois ele atuou em movimento de bairro, com Associação de moradores e também chegou a coordenar durante um período a Feira dos produtores onde se comercializa, sendo muito importante para os produtores à organização dessa feira.
Então o Luiz vem para fundar a Liga junto conosco. É porque sempre se manteve como uma pessoa simples, uma pessoa extremamente popular, uma pessoa que andava de chinelo o tempo todo, sempre disposto a conversar com todo mundo, dedicado, sempre organizando alguma coisa.
Tem toda uma trajetória de luta. Praticamente todos aqueles que já militaram no Pará, estão hoje em algum órgão do governo, principalmente agora com a Ana Júlia [PT, governadora do estado]. E ele se manteve esse tempo todo muito dedicado e decidido a levantar a bandeira da revolução agrária. Foi um companheiro que teve um papel muito grande para a Liga se envolvesse na situação no Sul do Pará.
Essa aproximação e participação da luta da Liga camponesa para ocupar e tomar o latifúndio e alguns companheiros que já atuavam pela revolução agrária que propôs para o Luiz participar.
Saindo da política basicamente oportunista, se anteciparam numa região onde havia uma série de lideranças que participavam com o povo e sempre teve esse contato e quando ele conhece essa linha de combatividade da revolução agrária, de cortar a terra com as próprias mãos ele, que já participava de um movimento de luta, procura a liga e quando ele conhece, participa e organiza um seminário para discutir.
Foi assim que se deu a aproximação política do Luiz com a gente.

Causa Operária: Quais as perseguições que ele sofreu e as outras lideranças sofrem. Ele havia recebido ameaças de morte? A quem vocês atribuem este crime?

Zé Carlos - Quando a governadora Ana Júlia do PT começa a operação “Paz no Campo” no final de 2007, uma operação tramada pelo latifúndio inclusive com reportagem na revista Veja que preparou a elaboração de um ataque.
Foi a maior operação militar contra os camponeses em luta pela terra desde a operação de repressão contra a guerrilha do Araguaia, do governo Federal, envolveu polícia rodoviária, envolveu polícia militar, policia civil e o Ministério da Justiça foi quem avalizou aquela operação “Paz no Campo”.
Quando teve a operação “paz no campo” foi a tomada da Forkilha que desencadeou naquela região do Sul do Pará uma onda de tomadas muito grande, logo que houve essa operação ele [Luiz Lopes] teve a cabeça colocada a prêmio. Então eram oferecidos entre 50 e 55 mil pela cabeça dele. Isso foi amplamente divulgado e da nossa parte, denunciado.
Ultimamente ele tinha recebido uma série de ameaças em função do trabalho de preparação de tomadas de terra.
E particularmente de cobranças, porque o INCRA tinha prometido recentemente uma fazenda em troca da não continuação na Forkilha, e mesmo essa o INCRA estava dizendo que não podia passar para os camponeses que estavam lá num processo imenso de mobilização. Então o fazendeiro da Forkilha, de nome Rubão, também teria ameaçado Luiz.
Então nós temos primeiro essa ameaça e de todo grupo do latifúndio que tem o sindicato de produtores rurais de Redenção que é bastante ligado a Kátia Abreu [DEM – TO, Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins] e que deu toda essa cobertura para poder fazer esta política da Ana Júlia, de pedir a cabeça do Luiz.
Tinha o Rubão ligado a Forkilha, outro latifundiário que se chama Hernandes.
O direito de posse de uma área que já foi um acampamento e o companheiro Luiz já tinha coordenado uma ocupação dessa área, para que retornasse o acampamento.
Então o acampado foi assassinado e esse latifundiário, também tinha feito ameaça.
O mais recente, uma das três fazendas que fazem parte de um complexo tomado chamado Gabriel Pimenta, em homenagem ao advogado de Marabá, teria procurado o Luiz e tentado conversar para acelerar a desapropriação da fazenda. Então o Luiz passa a esperar uma reunião no INCRA.
Ainda naquela semana, o Luiz foi assassinado na sexta-feira, isso foi na terça-feira, esse latifundiário, manda irem buscar o Luiz e ligam dizendo “vamos conversar com você, estão querendo que essa conversa seja feita aqui em Redenção, vocês podem vir para o hotel”.
O Luiz não foi e logo depois liga outro preposto de latifundiário, chamado Alex, filho do ex-prefeito de Juriti. Ele fala, “olha o Alex está aqui junto com o Batista, eles querem conversar com você sobre a fazenda que é uma das fazendas que fazem parte do Gabriel Pimenta, e eles estão aqui no restaurante Panela de Barro que é um restaurante que o latifúndio realiza lá suas coisas, um dos restaurantes mais chiques de Redenção.
E o Luiz retorna, deixa o telefone no viva voz na sede da Liga e responde para que todos da Liga para que todos os companheiros ouçam e responde: “nossa conversa é no INCRA, fora isso não temos o que conversar. Se vocês quiserem discutir, negociar alguma coisa no INCRA nós estamos aqui a disposição, se vocês não querem, não tem conversa.”
Logo depois disso, ligam para outro companheiro que também fazia parte deste acampamento, e eles fazem a proposta de que os latifundiários não teriam mais interesse de negociar no INCRA, e queriam indenizar as famílias que estavam na área. Que esse companheiro devia pensar na condição financeira, que a vida tava muito difícil.
Logo depois, eles voltam a ligar para o Luiz e fala “não tem mais conversa, vamos nos reunir, decidir e comunicamos a você”.
Isso foi na terça-feira. Na sexta-feira, o Luiz sai da assembléia do Gabriel Pimenta e aprova por unanimidade, tanto avança no corte popular que tava sendo organizado na área, como também a decisão de que ninguém aceitaria indenização, que a proposta das famílias é ter a terra para trabalhar.
Então Luiz sai e é assassinado.
Vemos a organização para fazer cobrança que é Hernandes e muitos companheiros que foram assassinados.
Ele foi morto na sexta-feira à noite e foi encontrado apenas na segunda-feira.
Ele sai da assembléia e leva uma companheira até Conceição do Araguaia e quando está voltando sofre uma emboscada.
A polícia não queria analisar o corpo.
O latifúndio como um todo é uma organização criminosa. O próprio latifúndio já é um crime e que envolve assassinatos, torturas. No Pará isso ocorre de maneira aprofundada.

Causa Operária - Vocês consideram que há uma investida dos latifundiários contra os sem-terra? Qual a mudança com o governo Lula? A repressão tem aumentado desde que momento?

Zé Carlos – Basicamente todo esse processo de gerência do Lula, o processo de privatização. É de matar a três por quatro. Os ativistas do acampamento, como em Pernambuco. Gilmar [Mendes], clarão da parte reacionária do país. O Gilmar tem aconselhado às falas de Lula que praticamente condena o movimento camponês, quando eles estavam na casa deles e foram atacados. Logo depois, o executivo que quer desmoralizar o Sarney, mas faz a mesma coisa. Se analisarmos, podemos ver um processo de criminalização e uma pressão do latifúndio no movimento camponês.
Uma questão importante, é que conta com a conivência da ala oportunista do movimento camponês, particularmente apresentada pelo MST. Que não tem coragem de denunciar.
Todos esses crimes do latifúndio são coroados com a MP [Medida Provisória] – grilagem de terra.
É para praticamente acabar com a luta pela terra e legalizar o latifúndio. Isso na região mais disputada do planeta, a região Amazônica, que envolve a questão do Pará, Rondônia e envolve a própria Amazônia. Então este processo do PT que dá um ponto chave para o latifúndio na região Amazônica.
Esse processo acirra as contradições. A grande burguesia, o latifúndio, o oportunismo para atacar aqueles que poderia lutar contra isso.

Causa Operária: Você poderia explicar melhor o que significou para os sem-terra a “paz no campo” aplicada em novembro de 2007 pela governadora Ana Júlia Carepa (PT) com a finalidade de expulsar 1.100 famílias que tomaram e cortaram o latifúndio Forkilha?

Zé Carlos - Existe uma luta no Sul do Pará, e a Ana Julia que foi eleita se dizendo de esquerda, parece que daquela corrente Democracia Socialista, que seria a esquerda do PT, na primeira oportunidade que precisou e que o latifúndio cobrou, ela realizou aquilo que o latifúndio queria.
O latifúndio não tinha como segurar o movimento de massas que estavam sendo a partir da organização, da tomada da Forkilha, da forma como ela se realiza, ela anima as massas que passam a enfrentar e a derrubar uma série de latifundiários.
Então a “Operação Paz no Campo”, ela foi feita para desarmar os camponeses e preparar o terreno para que o latifúndio tivesse condições de com as próprias mãos ou usando o aparato policial do Estado para poder realizar seu serviço sujo de contenção do movimento camponês.
Os incidentes que chamaram mais atenção na luta camponesa é a heróica resistência de Santa Elina [fazenda Santa Elina, em Corumbiara] em 95 e depois Eldorado dos Carajás. Que foram momentos de maior enfrentamento. Mas concretamente, a operação de maior envergadura na gerência do oportunismo é a “Operação Paz no Campo”, da governadora Ana Júlia Carepa.
Ou seja, tinha que ser pela mão deles, o PT realmente abriu fogo e realmente pôs fim da sua relação com o movimento camponês. Enxerga quem quer, e denuncia quem acha que é verdade. Agora fica calado para poder continuar fazendo seu proselitismo e defendendo no estado esse governo reacionário, oportunista serviçal do imperialismo, da burguesia e do latifúndio.

Causa Operária - E qual a relação da atual situação da Forkilha com o assassinato do companheiro Luiz?

Zé Carlos - Como o companheiro tinha uma posição importante na época da Forkilha, era o organizador e o coordenador da Liga a cabeça dele foi posta a prêmio.
Teve essa informação, que a gente não pode confirmar, de que o proprietário da Forkilha tava com o proprietário de uma fazenda da Gabriel Pimenta no restaurante Panela de Barro. É difícil ainda confirmar, mas tem essa informação. E concretamente isso aconteceu quando o latifúndio se organizou com o governo do estado através da operação, isso pode ser visto no outdoor que eles colocaram na cidade agradecendo a governadora Ana Júlia, e em decorrência da “Operação Paz no Campo”, a propaganda do PT posterior a isso, no governo Ana Júlia, era ‘terra de direitos’, para tentar esconder que até hoje a governadora se nega a aceitar a investigação da própria Comissão de Direitos Humanos da assembléia do Pará que deu parecer para contra a Justiça do Pará, verificando que houve tortura na Forkilha, e que houve abuso policial, que houve uma série de arbitrariedades, que a governadora não admite. Então é aqui na Forkilha onde começam as ameaças mais diretas ao companheiro Luiz, na sua posição de coordenador da Liga.
É importante dizer também que depois da Forkilha já foram assassinados 13 camponeses no sul do Pará, desde que foi iniciada a Operação Paz no Campo, para fazer a reintegração de posse na Forkilha. A Operação teve como objetivo primeiro retomar o latifúndio da Forkilha, como símbolo, e depois aumentar a repressão em todo o estado contra camponeses em várias áreas isso foi a Operação Paz no Campo.
Do ponto de vista da propaganda, ela utilizou a propaganda oficial ‘terra de direitos’, quando a luta de classes na região é pelo assassinato pelo latifúndio, de camponeses que estiverem envolvidos na luta pela terra logo depois da Operação Paz no Campo e da retomada pelo latifúndio da Forkilha.

Causa Operária – Em dois anos foram 13 mortes?

Zé Carlos - Algumas mortes não apareceram como resultado da luta pela terra. Uns falam que foi briga com outro sujeito, outro briga de mulher.
Mas não aparecem como assassinatos cometidos pelo latifúndio. Embora em todos ele aparecem com os mesmos indícios e da mesma maneira. A ponto de numa Comissão de Diretos Humanos, um Policial Militar afirmar ter matado um camponês.

Causa Operária - Você poderia falar como está a luta pela terra no estado do Pará?

Zé Carlos – O Estado frente às massas tem se manifestado, particularmente no ano passado e retrasado, pela luta travada na Forkilha.
Teve mais duas ou três rebeliões no ano passado. Um Estado extremamente rico, com terras, de minério e as massas vivem na pobreza e está se organizando para poder lutar.
Todos os movimentos que tem algum nível de organização no Estado do Pará, mesmo as organizações com direção oportunista, o movimento de massas acaba indo para uma radicalização. Em função da própria situação de miséria absoluta das massas. A intervenção do Estado, com a experiência na década de 70, a luta armada, dirigida pelo PCdoB, há todo um aparato contra insurgentes instalado no Pará, para poder reprimir as massas camponesas. Podemos ver em todo este esforço, que se não fosse essa conjugação de fatores o latifúndio, a ação direta e o governo propor organizar e apoiar a repressão no Estado com Julia Carepa. Governo que supera de longe o PSDB, DEM, os principais apoiadores deste governo. Fechando vários acordos com multinacionais, como também exploram a questão do campo com uma política pró-imperialista e para espremer a massa de camponeses.
Há grupo de camponeses, de Goiás que vão para o Sul do Pará devido aos processos de mineração. Então há uma cultura de camponeses que vai se fundindo como acontece em Rondônia.
Diante da torturas que tem lá, nós temos proposta de uma campanha muito grande de denuncia dos assassinatos na região sul do Pará, que a do companheiro Luiz Lopes foi a mais recente. O estado do Pará governado por Ana Júlia Carepa uma vez mais vai apresentar de forma deturpada e fraudulenta em defesa do latifúndio a apuração do assassinato do companheiro.
Nós achamos que com todas as dificuldades, e o clima de terror, as massas vão saber responder.
Após a missa do sétimo dia da morte de Luiz, fizemos uma passeata em Conceição do Araguaia bem recebida pela população.
É uma situação de guerra. Envergonhar-se disso que acontece aqui no sul do Pará, no governo que eles ... de forma que as massas do povo ....
O estado do Pará é um caldeirão e eles seguram essa massa para não se revoltar ainda através do peso da direção oportunista, amparada pelos movimentos populares, movimentos que ainda amparam o governo oportunista Ana Júlia Carepa.
Então eu acredito que o avanço da luta e a desmoralização de tudo isso, a partir de vários assassinatos que vem acontecendo, mas particularmente esse assassinato do companheiro Luiz, de revolta de miséria, vai gerar também uma reação muito importante do ponto de vista da organização das massas para poder avançar nas suas lutas.
É isso que eu acho que vai acontecer agora.

Causa Operária: Como a imprensa cobriu esse fato?

Zé Carlos – Teve certa repercussão o assassinato do companheiro, importante a matéria Causa Operária divulgou e o vídeo do primeiro de maio. E todos têm noticiado como um crime político.
Em alguns jornais da imprensa local foi colocado que o companheiro já vinha sendo ameaçado de assassinato e as matérias não foram ruins, de alguns órgãos de imprensa. Na verdade talvez eles foram mais fiéis porque já conheciam o Luiz, já tinham filmado, fotografado quando ele foi ameaçado, certamente não é uma cobertura necessária.
O assassinato de um líder camponês, nós atribuímos o assassinato ao latifúndio de Redenção, a governadora Ana Julia e ao governo federal através do Lula que enrolou e não resolveu os problemas que geraram diretamente a morte de Luiz que é a desapropriação desse latifúndio agora onde está o acampamento Gabriel Pimenta. Então esses são os culpados os responsáveis pela morte de Luiz.
E temos tido uma boa repercussão Internacional, através de algumas organizações. E todas as manifestações de solidariedade, procuraram levar para que toda a família, que não foram só eles que perderam o pai, o esposo, o irmão, que também estamos sofrendo, cobrando dos responsáveis.

Causa Operária - Existem outras lideranças ameaçadas na região?

Zé Carlos - Tem. Na Forkilha o Luiz é o companheiro que tinha a cabeça a prêmio, mas ainda tem uma série de outros companheiros e companheiras que continuam sendo ameaçados, dentro de casa, caminhonete de latifundiário que aparece para pressionar as pessoas, então o clima no Sul do Pará é de ameaça e morte.


Fonte: Causa Operária - www.pco.org.br/conoticias


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